Depois de fazer história e superar os 190 mil pontos no pregão anterior, o Ibovespa respirou mais aliviado nesta quinta-feira, mas não escapou de uma correção. O índice fechou em queda de 1,02%, aos 187.766,42 pontos. Lá fora, o clima também pesou, com as bolsas de Nova York sofrendo com temores renovados sobre o setor de Inteligência Artificial e de olho no índice de preços ao consumidor (CPI) americano, que será divulgado amanhã.

O dia foi de realização de lucros por aqui, especialmente nas ações de gigantes como Petrobras e Itaú Unibanco. Mas, como em todo bom filme, teve também seus heróis: Assaí, Ambev e Banco do Brasil viram seus papéis brilharem, impulsionados pela repercussão positiva dos resultados trimestrais.

A ressaca de Wall Street

A queda em Nova York, com o S&P 500 recuando 1,57%, acabou contaminando o humor dos investidores brasileiros. A preocupação com os rumos da Inteligência Artificial e a expectativa pelo CPI americano, que pode dar pistas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed), deixaram Wall Street de cabelo em pé. Segundo o Money Times, as bolsas de NY fecharam em baixa pressionadas por esses temores.

O Dow Jones caiu 1,34%, enquanto o Nasdaq, termômetro das empresas de tecnologia, cedeu 2,05%. A Cisco foi um dos destaques negativos, com queda de mais de 12% após a divulgação de resultados que mostraram pressão nas margens brutas, de acordo com o Bank of America.

Balanços no Brasil: nem tudo está perdido

Enquanto o cenário externo não ajudava, algumas empresas brasileiras tentaram animar o mercado com seus balanços. Assaí, Ambev e Banco do Brasil foram os destaques positivos do dia, mostrando que, mesmo em meio à turbulência, ainda há espaço para boas notícias.

O Banco do Brasil, por exemplo, tem mostrado resultados consistentes, o que anima os investidores de olho nos dividendos. Dividendos, aliás, são como aluguéis: pingam na sua conta sem que você precise vender o “imóvel”, ou seja, as ações.

Dólar volta a subir

Com a aversão ao risco predominando, o dólar aproveitou para dar um suspiro e encostar novamente nos R$ 5,20, com alta de 0,25%. A moeda americana, que vinha dando sinais de fraqueza, se fortaleceu com o cenário global incerto e a busca por segurança por parte dos investidores.

O que esperar?

Amanhã, o mercado estará de olho no CPI americano, que pode ditar o ritmo das bolsas e do dólar nos próximos dias. Se a inflação nos Estados Unidos vier acima do esperado, a expectativa é de que o Fed adote uma postura mais agressiva no aumento das taxas de juros, o que pode impactar negativamente os mercados globais.

Por outro lado, se a inflação mostrar sinais de arrefecimento, a perspectiva é de que o Fed seja mais cauteloso, o que pode impulsionar as bolsas e derrubar o dólar. Ou seja, preparem os corações, porque a volatilidade deve continuar a dar as cartas.

Realização de lucros: hora de repensar a estratégia?

Depois de uma sequência de altas e recordes, é natural que o mercado passe por um período de correção. A realização de lucros faz parte do jogo e é importante para dar sustentabilidade ao movimento de alta. Mas será que é hora de repensar a estratégia?

A resposta, como sempre, depende do perfil de cada investidor. Para quem busca ganhos de curto prazo, pode ser interessante aproveitar a queda para comprar papéis mais baratos. Já para quem pensa no longo prazo, o ideal é manter a calma e focar nos fundamentos das empresas, sem se deixar levar pelo humor do mercado.

Lembre-se: investir é como plantar uma árvore. Não adianta ficar ansioso e querer colher os frutos antes da hora. É preciso ter paciência, cuidar da planta e esperar o tempo certo para a colheita.