Depois de flertar com os 191 mil pontos e renovar sua máxima histórica, o Ibovespa não conseguiu manter o ritmo e encerrou o pregão desta segunda-feira em baixa. O mercado digeriu uma série de notícias, desde balanços corporativos até dados da balança comercial, passando pelas sempre presentes (e agora até mais frequentes) declarações do presidente americano Donald Trump.

Petrobras no azul, bancos no vermelho

Enquanto o índice geral cambaleava, a Petrobras (PETR4) nadou contra a maré. A petroleira surfou a onda da alta do petróleo no mercado internacional e viu suas ações dispararem, impulsionando o índice por um bom tempo. No entanto, o setor bancário não acompanhou o otimismo. As ações dos grandes bancos sentiram o peso das incertezas no cenário macroeconômico e acabaram pressionando o Ibovespa para baixo.

É como se o Ibovespa fosse um carro: a Petrobras (PETR4) acelerou forte, mas os bancos puxaram o freio de mão. No fim das contas, o carro não saiu do lugar.

Riachuelo no radar com follow-on

Outro destaque do dia, mas nem tanto pelo lado positivo, foi a Riachuelo (RIAA3). A varejista anunciou que pretende realizar um follow-on, uma oferta primária de ações, para levantar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões. A notícia não agradou muito os investidores, e as ações da empresa despencaram. Segundo a InfoMoney, os recursos serão usados para financiar a expansão da rede de lojas e aumentar a liquidez dos papéis.

A lógica por trás da reação negativa é simples: mais ações no mercado significam que cada ação representa uma fatia menor da empresa. É como se você dividisse uma pizza em mais pedaços: cada pedaço fica menor.

Cosan sobe com IPO da Compass no horizonte

Já a Cosan (CSAN3) teve um dia mais animador. As ações da empresa subiram embaladas pela possibilidade de um IPO (Oferta Pública Inicial) da Compass Gás e Energia, sua controlada. O mercado pareceu otimista com a perspectiva de destravar valor na companhia. O Goldman Sachs, em análise citada pela InfoMoney, avalia que o IPO pode dar uma estimativa mais clara do valor da Compass.

Vale lembrar que a decisão sobre o IPO ainda não é definitiva e depende das condições de mercado e das aprovações necessárias. Mas a simples possibilidade já foi suficiente para animar os investidores.

Cenário macroeconômico: Selic, dólar e o risco de Trump

O cenário macroeconômico segue no radar dos investidores, claro. As projeções do Boletim Focus, divulgadas mais cedo, trouxeram revisões para o IPCA (inflação) e para a Selic (taxa básica de juros), além de uma melhora na expectativa para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). O dólar, por sua vez, segue volátil, refletindo as incertezas globais e o apetite (ou a falta dele) por risco no Brasil.

E por falar em risco, Donald Trump continua sendo uma fonte constante de apreensão para o mercado. O anúncio de novas tarifas globais, após uma decisão desfavorável da Suprema Corte, reacendeu os temores de uma guerra comercial. Para piorar, Lula criticou o uso do comércio como arma, em um fórum na Coreia do Sul, aumentando a dose de incerteza. É um turbilhão de informações que exige sangue frio do investidor.

Balança comercial: um respiro em meio à turbulência

Em meio a tantas notícias negativas, um dado positivo: a balança comercial brasileira segue forte. Em fevereiro, o saldo positivo já soma US$ 2,826 bilhões, com uma média diária de US$ 217,4 milhões. No acumulado do ano, o superávit chega a US$ 7,168 bilhões, um aumento expressivo em relação ao mesmo período do ano anterior. Os números da balança comercial dão um alívio em meio ao cenário turbulento e mostram que o Brasil ainda tem fôlego para crescer.

Ainda assim, o investidor precisa ficar de olho. O cenário macroeconômico global continua incerto, e o risco país segue sendo um fator importante a ser monitorado. Como sempre digo, informação é a chave para tomar decisões conscientes e proteger seu patrimônio. E, claro, diversificar é fundamental para não colocar todos os ovos na mesma cesta. Afinal, no mercado financeiro, como na vida, a prudência nunca é demais.