A ressaca do Carnaval parece ter pesado sobre o Ibovespa, que fechou o pregão desta quarta-feira (18) em queda, aos 185,6 mil pontos. O dia foi marcado por movimentos distintos em diferentes classes de ativos, com a Vale pressionando o índice, as taxas de DI desafiando a lógica global e a Braskem sofrendo um duro golpe de avaliação.

Vale Pesa no Ibovespa

A Vale (VALE3) foi um dos principais fatores que contribuíram para o recuo do Ibovespa, com suas ações caindo 3%. A performance da gigante da mineração geralmente tem um peso considerável sobre o índice, e hoje não foi diferente. A cautela em relação ao minério de ferro, em meio a incertezas sobre o crescimento chinês, parece ter influenciado o humor dos investidores.

Taxas de DI na Contramão do Mundo

Enquanto os Treasuries (títulos do governo americano) subiam lá fora, as taxas de Depósitos Interfinanceiros (DIs) no Brasil caminharam na direção oposta, fechando em baixa. Essa divergência chamou a atenção do mercado. Para janeiro de 2028, a taxa do DI fechou em 12,585%, uma queda de 4 pontos-base em relação ao ajuste de sexta-feira. Já para janeiro de 2035, a taxa recuou 7 pontos-base, fechando em 13,335%.

Essa queda nas taxas futuras, segundo analistas, pode refletir uma percepção de que o Banco Central manterá uma postura mais conservadora em relação à política monetária, mesmo com a inflação ainda acima da meta. Ou, quem sabe, é um otimismo (talvez excessivo?) do mercado com a trajetória fiscal do país. O tempo dirá quem está certo.

Braskem Sofre Rebaixamento e Despenca

A Braskem (BRKM5) foi outra companhia que amargou um dia difícil na Bolsa. O Citi rebaixou a recomendação das ações da petroquímica de neutra/alto risco para venda/alto risco. O resultado? As ações da Braskem desabaram, fechando em queda de 3,47%, cotadas a R$ 9,45.

Em relatório, o Citi apontou que os fundamentos do setor petroquímico continuam fracos, com excesso de oferta. Além disso, o banco atualizou seu modelo para a Braskem, incorporando uma visão mais pessimista sobre o cenário macroeconômico e os spreads petroquímicos. O banco espera um Ebitda fraco para a Braskem no quarto trimestre de 2025 e em 2026, e manteve o preço-alvo em R$ 8,00.

Cenário Externo: Fed Indeciso e Tensões Geopolíticas

No cenário internacional, a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mostrou que a instituição está dividida sobre o momento de iniciar os cortes nas taxas de juros. A maioria dos dirigentes defende uma pausa para avaliar o impacto dos cortes realizados no ano passado, mas alguns já defendem uma retomada da flexibilização monetária caso a inflação coopere.

As tensões geopolíticas também continuam no radar dos investidores. A instabilidade no leste europeu, com a guerra entre Rússia e Ucrânia, e o aumento da tensão entre Estados Unidos e Irã, com ataques a instalações militares, injetam volatilidade nos mercados globais e aumentam a aversão ao risco.

Dólar e Outros Indicadores

O dólar comercial fechou em alta de 0,22%, cotado a R$ 5,24. A moeda americana ganhou força em relação ao real, acompanhando o movimento global de valorização do dólar frente às principais moedas do mundo. Enquanto isso, o Boletim Focus, divulgado nesta semana, mostrou que os analistas cortaram a projeção de inflação pela sexta semana consecutiva, sinalizando um possível alívio no front da inflação.

Conclusão: Um Dia de Contrastes

O pregão desta quarta-feira foi um retrato da complexidade do mercado financeiro, com movimentos contraditórios e influências diversas. O Ibovespa sentiu o peso da Vale, as taxas de DI desafiaram a lógica global, a Braskem sofreu um golpe de avaliação e o cenário geopolítico continuou a gerar incertezas. Para o investidor, o dia serviu como um lembrete da importância de diversificar a carteira e acompanhar de perto os indicadores econômicos e os acontecimentos globais. Afinal, no mercado, como na vida, surpresas não faltam.