A terça-feira não começou fácil para o investidor brasileiro. O Ibovespa tenta se equilibrar, operando perto da estabilidade, enquanto o dólar e os juros futuros mostram sinais de alta. A tensão geopolítica lá fora e a cautela com os dados econômicos que serão divulgados nos próximos dias estão mexendo com o mercado. Vamos entender o que está acontecendo e o que esperar para o restante do pregão.

Ibovespa: Entre a cruz e a espada

O principal índice da B3 abriu em leve queda, buscando forças para se manter acima dos 164 mil pontos. No momento, paira uma certa incerteza no ar. A agenda doméstica está relativamente tranquila, mas o cenário internacional carrega um peso considerável.

Ações de empresas de peso como Vale e Petrobras, por exemplo, iniciaram o dia no vermelho, contribuindo para a pressão sobre o Ibovespa. Vale (VALE3) começou o dia com uma baixa de quase 1%, enquanto Petrobras (PETR3 e PETR4) também recuava, ainda que de forma mais branda.

O que pesa sobre o índice?

  • Cenário externo: A tensão geopolítica global, com novas ameaças tarifárias vindas dos Estados Unidos, deixa os investidores mais cautelosos.
  • Juros americanos: A disparada dos juros dos Treasuries (títulos do governo americano) também contribui para a aversão ao risco, já que tornam os investimentos em países emergentes menos atraentes.
  • Dólar em alta: A valorização do dólar frente ao real adiciona pressão sobre o Ibovespa, já que afeta negativamente empresas com dívidas em dólar ou que dependem de importações.

Dólar sobe: Hora de ligar o sinal de alerta?

O dólar comercial abriu em alta, superando a marca de R$ 5,37. A moeda americana tem se fortalecido em relação a diversas divisas, refletindo a busca por segurança em meio à incerteza global.

Para quem viaja ou importa, a notícia não é boa. Mas, para empresas exportadoras, um dólar mais alto pode ser positivo, aumentando a competitividade de seus produtos no mercado internacional. É como um cobertor curto: quando cobre um lado, descobre o outro.

Juros futuros em alta: O que esperar da Selic?

Os juros futuros também operam em alta, refletindo a preocupação com a inflação e a expectativa de que o Banco Central adote uma postura mais conservadora em relação à Selic. Segundo o Money Times, o mercado já precifica um ciclo de queda dos juros para 2026, mas o ritmo e a extensão desse movimento ainda são incertos.

Alexandre Cancherini, sócio e gestor da Galapagos Capital, acredita que o ciclo de cortes pode começar já no primeiro trimestre. No entanto, ele ressalta que a trajetória dos juros dependerá da evolução fiscal e do cenário político.

Radar corporativo: Notícias que movimentam o mercado

Enquanto o Ibovespa tenta encontrar um rumo, algumas notícias corporativas chamam a atenção dos investidores:

  • Banco do Brasil (BBAS3): Aprovou um payout de 30% para 2026, o que significa que distribuirá 30% do seu lucro em dividendos e/ou juros sobre capital próprio. Boa notícia para quem busca renda passiva!
  • Petrobras (PETR3; PETR4): Assinou contratos de R$ 2,8 bilhões para a construção de novas embarcações em estaleiros brasileiros. Um investimento importante para o setor naval e para a economia do país.
  • Guararapes (GUAR3): A Fitch elevou a nota de crédito da dona da Riachuelo pelo segundo ano consecutivo. Sinal de que a empresa está com a saúde financeira em dia.
  • JSL (JSLG3): Teve receita bruta de R$ 2,9 bilhões no quarto trimestre. Um resultado expressivo para a empresa de logística.

E agora, o que fazer?

Diante desse cenário de incerteza, a palavra de ordem é cautela. A volatilidade deve continuar ditando o ritmo do mercado, e é importante ter sangue frio para não tomar decisões precipitadas. Diversificar a carteira e buscar ativos que protejam contra a inflação podem ser boas estratégias. Lembre-se: o mercado financeiro é uma maratona, não uma corrida de 100 metros.