O pregão desta sexta-feira (3) nos mercados brasileiros foi um daqueles para se observar com calma, mas sem grandes surpresas. Com os Estados Unidos de folga por conta do feriado de Independência, a liquidez por aqui deu uma bela minguada, mas o Ibovespa conseguiu emplacar mais uma semana positiva, fechando acima dos 174 mil pontos. Já o dólar e as taxas de juros, os famosos DIs, deram um respiro e fecharam em queda.

O principal índice da nossa bolsa, o Ibovespa, fechou com um ganho de 0,84%, atingindo os 174.247,45 pontos. Esse movimento garantiu a segunda semana consecutiva de valorização, um alento para os investidores depois de um período mais turbulento. A máxima do dia tocou os 174.664,35 pontos, enquanto a mínima ficou nos 172.790,39 pontos. O volume negociado na B3 ficou bem aquém da média, refletindo a ausência dos investidores americanos.

No mercado de câmbio, o dólar à vista deu adeus à semana cotado a R$ 5,1689, com uma desvalorização de 0,76%. Essa queda acompanhou um movimento global da moeda americana, que sentiu o peso dos dados de emprego divulgados nos EUA na véspera. A surpresa negativa na criação de vagas lá fora, divulgada na quinta-feira, esfriou as apostas de que o Federal Reserve apertaria os juros no curto prazo, e o reflexo se estendeu até aqui.

Quem acompanha o mercado de juros sabe que o cenário lá fora tem um peso enorme. E foi exatamente isso que vimos hoje. Com os Treasuries americanos fechados, o mercado de DIs por aqui reagiu. As taxas futuras fecharam em baixa, com destaque para o DI para janeiro de 2028, que recuou 13 pontos-base, e o para janeiro de 2035, com queda de 8 pontos-base. Essa correção ante as altas da véspera parece ter sido impulsionada, em parte, por dados domésticos que não animaram:

A produção industrial brasileira veio abaixo do esperado em maio. Segundo o IBGE, houve uma queda de 0,2% na comparação com abril e um avanço tímido de 0,2% em relação a maio do ano passado. Em minha leitura, esse resultado fraco reforça a ideia de que a economia ainda patina em alguns setores, o que, para o Banco Central, pode ser um sinal verde para manter a cautela em futuras decisões sobre a taxa Selic. Não é a primeira vez que dados setoriais mais fracos servem de catalisador para uma queda nas taxas de juros futuras, um padrão que já vimos se repetir em outros momentos de desaceleração econômica.

Para quem acompanha o fluxo de capital estrangeiro, os números de junho chamaram a atenção. Os investidores de fora retiraram cerca de R$ 7,78 bilhões da Bolsa brasileira, segundo dados da B3. Apesar do saldo acumulado no ano ainda ser positivo, a mudança de postura gera um sinal de alerta. O BTG Pactual, por exemplo, aponta que os investidores estrangeiros estão reavaliando suas posições no Brasil diante de incertezas externas, o cenário eleitoral e os desafios fiscais domésticos. Quem lembra de 2022, um ano eleitoral complexo, sabe que esse tipo de aversão a risco por parte dos estrangeiros pode impactar a liquidez e a volatilidade do nosso mercado.

O JP Morgan, por sua vez, mantém uma visão seletivamente otimista para as ações brasileiras, com preferência por empresas de maior qualidade e que se beneficiam de um cenário macroeconômico favorável, como financeiro, utilidades públicas e commodities. No entanto, o banco reconhece que os fluxos de capital mais fracos e as eleições de outubro são fatores de volatilidade a serem monitorados de perto.

No cenário geral, o fechamento de hoje mostra um mercado que, apesar da baixa liquidez, tenta digerir os dados econômicos e se posicionar para as próximas semanas. O Ibovespa prova sua resiliência com mais uma semana positiva, mas a atenção do investidor deve se voltar para os próximos indicadores de inflação, decisões do Banco Central e, claro, os desdobramentos do cenário político que se aproximam.