O Ibovespa encerrou a sexta-feira (30) no vermelho, apagando parte dos ganhos recentes e renovando as dúvidas sobre o fôlego do mercado de ações em 2026. Em um dia marcado pela cautela no exterior e por balanços que não animaram, o principal índice da B3 fechou em queda, pressionado principalmente pelo desempenho negativo das ações da Vale.

O que derrubou o Ibovespa?

Foram vários os fatores que contribuíram para o desempenho negativo do Ibovespa nesta sexta. No cenário externo, as bolsas americanas também recuaram, em meio a incertezas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). O anúncio de Kevin Warsh como indicado para comandar o FED, noticiado pela InfoMoney, gerou dúvidas entre investidores, aumentando a aversão ao risco.

Internamente, o destaque negativo ficou com a Vale (VALE3), cujas ações despencaram mais de 3%. A queda da gigante da mineração pesou sobre o Ibovespa, dada a sua grande participação no índice. Outros grandes bancos também tiveram um dia difícil, acompanhando o movimento de correção após valorizações expressivas no início do ano. Segundo o Itaú BBA, Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander (SANB11) já estariam negociando acima de suas médias dos últimos cinco anos, o que pode ter incentivado a realização de lucros.

Para completar o cenário, o dólar comercial voltou a subir, fechando o dia com alta de 1,03%, cotado a R$ 5,24. A valorização da moeda americana, que acompanha a tendência global, adicionou pressão sobre os ativos brasileiros, tradicionalmente impactados pelo mercado de câmbio.

Ouro e Prata em queda livre

Após atingirem máximas históricas, o ouro e a prata sofreram um tombo considerável, com a maior queda em anos. Esse movimento reflete uma menor busca por ativos considerados “porto seguro” em momentos de incerteza, indicando que parte dos investidores está realocando seus recursos para outras classes de ativos.

Destaques positivos e negativos

Nem tudo foi notícia ruim no pregão desta sexta-feira. A CVC (CVCB3) destoou do movimento geral e decolou, com alta de 13%. Já a Aura (AURA33) foi um dos piores desempenhos do dia, com queda superior a 11%. A B3 (B3SA3) também sentiu o peso do dia negativo e encerrou o pregão com queda de 3%.

No caso da Gol (GOLL54), as ações preferenciais dispararam após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) conceder o registro da oferta pública de aquisição (OPA), etapa necessária para a saída da companhia da Bolsa. Como noticiou a Exame Invest, o leilão está marcado para 19 de fevereiro.

E agora, o que esperar?

A semana que vem promete ser movimentada, com a divulgação de novos balanços corporativos e a expectativa em torno de decisões do Fed. A valorização real do Ibovespa em janeiro, apesar da queda de hoje, ainda é considerável, mas a volatilidade deve continuar presente.

É importante lembrar que investir na Bolsa de Valores exige cautela e planejamento. Analise os seus objetivos, o seu perfil de risco e diversifique a sua carteira. Dividendos são como aluguéis: você recebe sem precisar vender o imóvel, mas é preciso escolher bem onde investir. E, como sempre, a decisão final é sua!