A semana entre o Natal e o Ano Novo costuma ser daquelas em que o mercado opera em ritmo de férias, com menos volume e investidores mais focados na ceia do que na tela do computador. E, como esperado, foi exatamente o que vimos por aqui. O Ibovespa até tentou, mas a falta de liquidez e as notícias vindas de Brasília não deixaram a bolsa brasileira embalar de vez.
Um respiro em meio à calmaria (e à política)
Na sexta-feira (26), o Ibovespa fechou em leve alta de 0,27%, aos 160.896,64 pontos. Um alívio, sem dúvida, depois de um começo de dia mais turbulento. Mas, como dizem, uma andorinha só não faz verão, e a baixa liquidez dessa época do ano acaba amplificando qualquer notícia que surge no radar – principalmente as vindas do cenário político.
Pra você ter uma ideia, o mercado repercutiu a confirmação de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência em 2026. E, para dar ainda mais tempero à coisa, uma pesquisa da Paraná Pesquisas mostrou um empate técnico entre Lula e o senador em um possível confronto direto. Ou seja, Brasília continua no centro das atenções, e o humor político tem grande potencial de influenciar seus investimentos.
Enquanto isso, lá fora, as bolsas de Nova York também operaram com liquidez reduzida e fecharam perto da estabilidade, mas garantiram ganhos de mais de 1% na semana. A performance modesta abriu espaço para uma leve realização de lucros depois das recentes altas.
Azul em modo de turbulência: o que aconteceu?
Se o Ibovespa andou de lado, as ações da Azul (AZUL54) voaram... rumo ao chão. Os papéis da companhia aérea fecharam o dia com uma queda expressiva de 26,47%, cotados a R$ 2.500,00. O motivo? Uma forte diluição dos acionistas decorrente de uma oferta pública de distribuição primária.
Simplificando, a Azul emitiu um monte de novas ações (mais de 700 bilhões de cada tipo!), o que diluiu a participação de quem já era acionista. É como se você tivesse um pedaço de pizza e, de repente, alguém resolvesse dividir a mesma pizza em fatias muito menores pra dar pra mais gente. No fim das contas, cada pedaço fica bem menor, né?
Essa reestruturação fez com que as ações passassem a ser negociadas em um novo lote padrão de 10 mil papéis, o que explica o preço "alto" exibido na tela. Mas não se assuste: o preço é referente a uma cesta de ações, e não a uma única unidade.
Alpargatas: entre Havaianas e polêmicas
Outra empresa que chamou a atenção foi a Alpargatas (ALPA3), dona da Havaianas. Depois de uma polêmica envolvendo uma peça publicitária, as ações da empresa voltaram a figurar entre os destaques da bolsa, dessa vez por conta do aumento da participação da Itaúsa na varejista.
A holding elevou sua fatia individual para cerca de 15,94% das ações preferenciais, aumentando a fatia conjunta dos acionistas controladores para aproximadamente 40,03%. O mercado reagiu de forma mista: as ações ordinárias chegaram a subir no início do dia, mas fecharam com uma leve queda de 0,36%, a R$ 10,92.
E o rali de fim de ano?
A pergunta que não quer calar: o famoso rali de fim de ano vai acontecer? Difícil cravar. A verdade é que o mercado está em compasso de espera, de olho nos próximos capítulos da novela política e aguardando um volume maior de negociações para dar um rumo mais definido. Historicamente, janeiro tende a ser um mês mais positivo para a bolsa, mas como dizem, rentabilidade passada não garante rentabilidade futura.
Minha dica? Mantenha a calma, diversifique seus investimentos e fique de olho nos indicadores econômicos e nas notícias do cenário político. E, claro, aproveite o final de ano para recarregar as energias e planejar seus próximos passos no mundo dos investimentos. Boas festas e bons negócios!
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.