Depois de cravar novas máximas históricas, o Ibovespa deu uma respirada nessa sexta-feira, fechando em queda de 0,46% e ficando abaixo dos 165 mil pontos. Calma, o mundo não acabou! A semana ainda fechou no positivo, com alta de 0,88%. Mas o que aconteceu, afinal?

A resposta, como sempre, é um mix de fatores. Teve ajuste natural depois da euforia dos últimos dias, vencimento de opções (que sempre adiciona um pouco de volatilidade) e a divulgação de dados econômicos que merecem uma análise mais aprofundada.

O tal do IBC-Br e a Selic

O Banco Central divulgou o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, e o resultado veio acima do esperado: alta de 0,7% em novembro. Aparentemente, a economia brasileira segue mostrando sinais de resiliência. Mas o que isso significa para seus investimentos?

A leitura mais imediata é que esse dado pode dar um pouco mais de fôlego para o Banco Central manter a Selic (nossa taxa básica de juros) estável por mais tempo. Afinal, com a economia mostrando força, a pressão para cortar juros diminui. E juros altos, a princípio, não são a melhor notícia para o mercado de ações.

Mas, antes de sair vendendo tudo, vale lembrar: o mercado já precificou um ciclo de queda da Selic lá para 2026. Então, um dado positivo aqui e ali não deve mudar essa perspectiva de longo prazo. Pense assim: é como se o BC estivesse dirigindo um carro. Ele sabe que precisa frear (baixar os juros), mas está de olho no velocímetro (os dados da economia) para não pisar demais no freio e causar um estrago maior.

O que rolou com as empresas?

Além dos fatores macroeconômicos, o noticiário corporativo também agitou o mercado. Algumas empresas do setor de construção civil, como Cyrela, Direcional, Even e Lavvi, viram suas ações caírem após a divulgação de dados prévios do quarto trimestre. As prévias trouxeram números mistos, mostrando que nem todas as empresas estão surfando a mesma onda no mercado imobiliário.

Já a Brava (BRAV3) surpreendeu o mercado ao anunciar a compra de 50% da participação da Petronas em dois campos de petróleo por US$ 450 milhões. A reação inicial foi positiva, mas as ações viraram para queda e fecharam em baixa de 5,05%. Segundo a XP Investimentos, a aquisição foi inesperada, mas positiva, e se encaixa no balanço da empresa. A conferir.

Outra que chamou atenção foi a CVC (CVCB3), que teve um dia de montanha-russa após anunciar a troca de CEO. As ações chegaram a subir mais de 3%, mas fecharam em queda de 10,74%. Para Thiago Pedroso, responsável pela área de renda variável da Criteria, a troca no comando pode ter adicionado volatilidade, mas a intensidade do movimento não está necessariamente ligada à mudança.

E a Vale e os bancos?

Vale (VALE3) e os grandes bancos costumam ter um peso considerável no Ibovespa. A performance deles influencia bastante o desempenho do índice. Nesta sexta-feira, o setor bancário, em geral, não teve um bom desempenho, o que contribuiu para a queda do Ibovespa. Vale lembrar que os bancos são termômetros da economia: se eles vão bem, é sinal de que a economia está saudável.

O que esperar para a próxima semana?

É impossível prever o futuro (quem dera!), mas podemos ficar de olho em alguns fatores que devem influenciar o mercado na próxima semana:

  • Notícias sobre a Selic: Qualquer sinalização do Banco Central sobre os próximos passos da política monetária será acompanhada de perto.
  • Balanços das empresas: A temporada de resultados está começando e os balanços das empresas podem gerar oportunidades (e sustos).
  • Cenário internacional: O humor dos mercados globais, especialmente nos Estados Unidos, sempre acaba respingando por aqui.

Afinal, é hora de comprar ou vender?

Essa é a pergunta de um milhão de dólares (ou de muitos reais, no caso do Ibovespa). A verdade é que não existe resposta fácil. O mercado de ações é como um oceano: tem dias de calmaria e dias de tempestade. O importante é ter uma estratégia bem definida, conhecer seu perfil de risco e não se deixar levar pela emoção.

Se você é um investidor de longo prazo, com foco em dividendos, por exemplo, uma queda pontual do Ibovespa pode até ser uma oportunidade para comprar ações mais baratas. Dividendos, aliás, são como aluguéis: pingam na sua conta sem que você precise vender o “imóvel” (as ações).

Por outro lado, se você é mais conservador, talvez seja o caso de ter um pouco mais de cautela e esperar a poeira baixar. Lembre-se: diversificar é não colocar todos os ovos na mesma cesta. E, no mundo dos investimentos, a informação é a sua melhor arma.