O mercado brasileiro respirou mais aliviado nesta quinta-feira (25/06/2026), com o Ibovespa fechando em alta de 0,87%, aos 171.990,20 pontos. O IPCA-15, a prévia da inflação oficial, que veio em 0,41% em junho, um número ligeiramente abaixo do esperado pelos economistas, foi um dos fatores que contribuíram para esse movimento e trouxe um alívio bem-vindo. O dólar à vista acompanhou a onda positiva, encerrando o dia em queda de 0,46%, a R$ 5,1782.

Essa desaceleração na inflação, que veio após uma alta de 0,62% em maio, representa um alívio para a economia brasileira. Embora o acumulado em 12 meses ainda esteja acima do teto da meta, a leitura mensal mais branda dá uma luz no fim do túnel para a política monetária. Pra mim, o sinal mais forte aqui é que o Banco Central pode ter mais espaço para avaliar os próximos passos da Selic, talvez até pensando em um corte mais comedido, como os 0,25 pontos base que alguns economistas já estão projetando.

Não é a primeira vez que vemos um dado de inflação mais favorável trazendo um fôlego para a bolsa. Em 2023, tivemos períodos semelhantes em que indicadores mais baixos de IPCA serviram de gatilho para movimentos de alta, ainda que a persistência da inflação tenha sido um fator de atenção na época. O que difere agora, na minha leitura, é a sinergia com dados internacionais positivos. O índice PCE dos Estados Unidos, o indicador preferido do Federal Reserve, também veio abaixo do esperado, reforçando a ideia de que a inflação global pode estar cedendo, o que ajuda a puxar o dólar para baixo por aqui.

As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) de curto prazo acompanharam a tendência de queda com os dados de inflação, mas o cenário de longo prazo apresentou uma inclinação na curva termo brasileira. Enquanto as taxas para janeiro de 2028 recuaram, as para janeiro de 2035 apresentaram alta. Esse movimento, que pode parecer confuso à primeira vista, indica que o mercado está precificando uma melhora no curto prazo com a inflação, mas ainda mantém um olho atento sobre as expectativas de juros mais altos e de maior inflação no horizonte mais distante. É como se o mercado estivesse sinalizando a possibilidade de cortes pontuais, mas ainda estivesse atento a riscos de longo prazo.

Quem acompanha o Banco Central há um tempo sabe que essa redação nos comunicados, buscando negar um alongamento do horizonte da política monetária, normalmente sinaliza que eles estão, sim, monitorando de perto a evolução e calibrando as expectativas. A apuração do The Brazil News em conversas com analistas mostra que o mercado está tentando decifrar os próximos movimentos do Copom, com alguns vendo uma brecha para mais um corte de 0,25 pp da Selic.

O que muda no seu bolso? Para quem investe em renda variável, a alta do Ibovespa é uma notícia positiva, pois pode indicar um otimismo renovado em relação ao desempenho das empresas. No entanto, é crucial lembrar que a inflação, mesmo em desaceleração, ainda está acima da meta e as expectativas para o segundo semestre apontam para a manutenção desse patamar. Para os investidores de renda fixa, a queda nas taxas de DIs de curto prazo pode ser um sinal de que o ciclo de aperto monetário pode estar chegando ao fim, abrindo espaço para uma possível redução da Selic. Mas a inclinação da curva no longo prazo sugere cautela.

O fechamento de hoje demonstra a sensibilidade do mercado a dados macroeconômicos. A desaceleração da inflação, tanto local quanto global, deu um fôlego para a bolsa e fez o dólar perder força. Acompanharemos de perto os próximos indicadores e as sinalizações do Banco Central para entender se essa melhora tem fôlego para se sustentar.