O Ibovespa encerrou o segundo pregão de maio com um respiro, marcando a primeira alta do mês. O índice fechou a sessão desta terça-feira (05/05/2026) em alta de 0,62%, aos 186.753,82 pontos. Essa recuperação é bem-vinda após um abril de movimentos mais contidos, mas não apaga completamente o clima de cautela que tem pairado sobre os mercados.
O que impulsionou essa alta? Uma combinação de fatores, onde o exterior parece ter dado uma mãozinha. O otimismo em Wall Street e o recuo nos preços do petróleo, que aliviaram preocupações inflacionárias e tensões geopolíticas (como o fechamento do Estreito de Ormuz há cerca de dois meses), criaram um ambiente mais favorável. Esse alívio nos preços da commodity, por exemplo, foi apontado por estrategistas como um dos principais motores do movimento desta terça.
No cenário corporativo, a Ambev (ABEV3) deu um show à parte. A gigante do setor de bebidas disparou após a divulgação de seus resultados do primeiro trimestre de 2026, mostrando que, mesmo em um ambiente desafiador, algumas empresas conseguem entregar desempenho financeiro sólido. Esses balanços trimestrais são sempre um termômetro importante para entender a saúde das companhias e direcionar as apostas.
Enquanto a bolsa tentava engrenar, o dólar comercial sentiu o aperto e sofreu uma queda acentuada. A moeda americana fechou em queda de 1,12%, cotada a R$ 4,912, o menor valor desde o primeiro trimestre de 2024. Os juros futuros (DIs) também acompanharam a tendência de queda em toda a curva.
O que os analistas dizem para maio?
Apesar da alta desta terça, o mês de maio é recebido com perspectivas que misturam otimismo e apreensão. Fontes do mercado indicam que, embora o Ibovespa ainda tenha espaço para superar outros mercados, a volatilidade deve continuar sendo uma companheira fiel. A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 segue no radar, e os resultados apresentados pelas empresas vão direcionar o apetite dos investidores.
O Itaú BBA, por exemplo, já divulgou suas recomendações para maio, ajustando algumas de suas sugestões de investimento. Houve apenas uma troca na carteira de small caps: a Cury (CURY3) deu lugar à OceanPact (OPCT3). É interessante notar que a ação da São Martinho (SMTO3) sofreu um baque considerável em abril, devolvendo os ganhos recentes após a perda de força da narrativa de reajuste no preço do etanol ligada à alta do petróleo. Por outro lado, a Orizon se destacou positivamente.
O Banco Central, por meio da ata do Copom, reforçou um tom cauteloso. Avaliou que a continuidade da guerra no Irã aumenta a chance de impactos duradouros na economia global e que o conflito já pode ter contribuído para a piora em expectativas de inflação no Brasil. Apesar de dados correntes de inflação terem surpreendido negativamente, o documento sinalizou que eventos recentes não impediriam a continuidade do ciclo de cortes na Selic, embora com ressalvas.
Ainda que o cenário geral possa parecer um pouco mais esperançoso com a queda do petróleo e balanços positivos pontuais, é crucial lembrar que os mercados são como o tempo: mudam rápido. Para o investidor, isso significa que entender o desempenho financeiro das empresas, acompanhar os resultados trimestrais e manter uma estratégia diversificada, sem colocar todos os ovos na mesma cesta, são táticas essenciais para lidar com a volatilidade dos mercados.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.