Quarta-feira de cinzas para quem pulou o Carnaval, mas para o Ibovespa é dia de voltar à realidade. Depois de um feriado prolongado, os investidores brasileiros se preparam para um dia que deve ser marcado pela volatilidade, com os mercados globais no radar e a tensão geopolítica no Oriente Médio como pano de fundo.

O mercado deve abrir em compasso de espera, aguardando a divulgação da ata da última reunião do Fed (o Banco Central americano) e de dados importantes sobre a produção industrial nos Estados Unidos. Mas, antes de mais nada, vale a pena dar uma olhada no que aconteceu no mundo enquanto a gente curtia o Carnaval.

O que rolou no overnight?

Enquanto o Brasil estava parado, Nova York ensaiou uma recuperação, impulsionada principalmente pelas empresas de tecnologia. O Dow Jones subiu timidamente (0,07%), o S&P 500 avançou 0,10% e o Nasdaq, que concentra as empresas de tecnologia, teve alta de 0,14%. A Apple, por exemplo, saltou mais de 3%, animada com os planos de investir pesado em inteligência artificial.

Na Ásia, a situação foi um pouco diferente. Com feriados na China e em outros mercados importantes, a liquidez foi reduzida e as bolsas fecharam em baixa. Tóquio, por exemplo, recuou, refletindo a cautela dos investidores com o cenário global. A China ainda está digerindo os impactos do feriado do Ano Novo Lunar, o que deve manter o volume de negócios mais baixo por lá nos próximos dias.

ADRs brasileiros sentiram o baque

Os ADRs (recibos de ações) de empresas brasileiras negociados em Nova York não escaparam da onda de aversão ao risco. O índice Dow Jones Brazil Titans 20 ADR, que reúne as principais empresas brasileiras listadas na B3 com recibos negociados nos EUA, fechou em queda de 1,04%. O EWZ, principal ETF brasileiro negociado no mercado americano, também recuou, 0,84%.

A Vale (VALE3) foi a que mais sofreu, com queda de mais de 4%. A Petrobras (PETR3; PETR4) também não escapou, com os ADRs recuando cerca de 1%, acompanhando a desvalorização do petróleo.

Petróleo e a tensão no Oriente Médio

Por falar em petróleo, vale a pena ficar de olho nos desdobramentos da tensão entre EUA e Irã. Recentemente, vimos um aumento da instabilidade na região do Estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o escoamento do petróleo mundial. Qualquer faísca por ali pode impactar diretamente o preço do barril, e consequentemente, as ações da Petrobras.

Aliás, é bom lembrar que falas conciliadoras vindas do Irã fizeram o preço do petróleo recuar ontem. Mas calma, não dá para relaxar ainda. A geopolítica anda tão imprevisível quanto o humor do mercado... Ninguém sabe o que esperar.

O que esperar do Ibovespa hoje?

Tecnicamente falando, o Ibovespa ainda mantém uma tendência de alta, apesar da recente correção. Segundo análise da InfoMoney, o índice permanece acima das médias móveis de 9 e 21 períodos no gráfico diário. Para retomar o fluxo de alta, será necessária a entrada consistente de força compradora para buscar novamente a máxima histórica em 190.561 pontos.

Por outro lado, se a pressão vendedora continuar, o índice pode टेस्ट suporte na faixa entre 183.662 e 185.340 pontos. Se perder essa faixa, pode abrir espaço para novas quedas.

O dia promete ser de atenção redobrada para os investidores. A agenda econômica está carregada, o cenário internacional é incerto e a volta do feriado pode trazer surpresas. Como sempre, a dica é: cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

Ah, e só para lembrar: este colunista aqui não faz recomendação de compra ou venda. Analise os dados, avalie os riscos e tome a sua própria decisão. Bons negócios!