O pregão desta segunda-feira (29) trouxe um panorama de realidades distintas para algumas das principais empresas brasileiras listadas em bolsa. Enquanto a JBS celebrava a inclusão em um importante índice do mercado americano, Braskem e Raízen enfrentavam turbulências em suas avaliações de crédito e resultados financeiros, respectivamente.
JBS se fortalece nos EUA
A gigante do setor de alimentos, JBS, viu seus American Depositary Receipts (ADRs) operarem em alta no pré-mercado de Nova York. A movimentação positiva é reflexo da inclusão oficial da companhia no índice Russell 3000, que congrega as cerca de três mil maiores empresas do mercado americano. A notícia, oficializada na sexta-feira (26) pela FTSE Russell, entra em vigor a partir da abertura do pregão desta terça-feira (30) na Bolsa de Nova York. Essa inclusão marca um passo importante para a JBS, cerca de um ano após sua dupla listagem na NYSE. Para quem acompanha o setor, essa entrada em índices relevantes nos EUA costuma abrir portas para maior liquidez e atenção de investidores institucionais.
Braskem: rebaixamento e default na mira
No setor petroquímico, a Braskem (BRKM5) recebeu notícias preocupantes. Mesmo com a Justiça concedendo um fôlego temporário de 60 dias contra cobranças de credores, as agências de rating Fitch e S&P Global apertaram o cerco. A Fitch rebaixou a classificação de risco da companhia de CC para C, enquanto a S&P Global foi ainda mais severa, classificando a empresa como 'default' (D) em sua escala global. Essa é uma situação delicada, que sinaliza um cenário de forte pressão financeira. Curiosamente, e para quem acompanha o mercado de perto, esse tipo de reação do mercado a notícias de rating, às vezes com ações subindo num primeiro momento, não é inédito. O que se vê é um cálculo rápido do mercado sobre o impacto imediato da proteção judicial versus o risco de longo prazo. Na minha leitura, o mercado tentou precificar a suspensão das dívidas de curto prazo, mas o rebaixamento para default acende um alerta vermelho para o futuro.
Vale lembrar que, mesmo diante da deterioração nas avaliações de crédito, as ações da Braskem (BRKM5) apresentaram uma performance surpreendente no dia, avançando 3,52% e fechando o pregão em R$ 6,47. Essa alta se deu, em grande parte, após a decisão judicial que suspendeu temporariamente a cobrança de R$ 2,6 bilhões em dívidas com vencimento em julho, conforme apuração do The Brazil News. Essa performance diverge do rebaixamento das agências, mostrando um investidor atento aos prazos mais curtos de alívio financeiro.
Raízen: prejuízo milionário em um ano desafiador
A Raízen (RAIZ4), gigante do setor de açúcar, etanol e energia, divulgou seu balanço referente ao quarto trimestre da safra 2025/2026, apresentando um prejuízo líquido de R$ 7,334 bilhões. Esse valor representa um aumento expressivo de 192% em comparação com o mesmo período da safra anterior. A companhia atribuiu o resultado a um conjunto de fatores desafiadores, incluindo condições climáticas adversas, volatilidade de commodities, juros elevados e o impacto do mercado ilegal de combustíveis. O anúncio ocorre em um momento crítico, com a empresa em processo de recuperação extrajudicial para renegociar mais de R$ 64 bilhões em dívidas. O desempenho financeiro da Raízen, especialmente a forte queda de quase 76% em relação à sua máxima em 12 meses, em R$ 1,72, reflete um ano de forte pressão.
Ferbasa mira sustentabilidade com apoio do BNDES
Em uma nota positiva para o setor de materiais básicos, a Ferbasa (FESA4) anunciou o recebimento de R$ 43,8 milhões do BNDES para um projeto de produção de carvão vegetal em Maracás, na Bahia. O financiamento, com foco em descarbonização da cadeia siderúrgica, destinará parte dos recursos do Fundo Clima. A nova unidade terá capacidade para produzir 20 mil toneladas anuais de biorredutor, abastecendo a metalúrgica da própria Ferbasa. As obras já estão em andamento, com previsão de conclusão para o final deste ano.
Em resumo, o fechamento do mercado nesta segunda-feira mostrou um cenário corporativo de extremos. Enquanto a JBS ganha tração com sua internacionalização, Braskem e Raízen lidam com fortes ventos contrários. Acompanhar de perto os desdobramentos desses balanços e movimentações estratégicas será fundamental para os investidores nos próximos dias.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.