O primeiro dia de junho traz consigo um cardápio de indicadores que podem dar o tom para o mercado financeiro brasileiro. Após um maio para esquecer – o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023, com o Ibovespa amargando uma queda de 7,06% e sete semanas consecutivas de perdas –, os investidores buscam agora sinais de recuperação e previsibilidade.
Nesta segunda-feira, a atenção se volta para a divulgação dos índices de Gerentes de Compras (PMI) da indústria em importantes economias globais, incluindo o Brasil. Esses dados funcionam como um indicador da atividade manufatureira, mostrando se o setor está em expansão ou contração. Para a Europa, além dos PMIs, o mercado também aguarda a taxa de desemprego de abril, com a expectativa de um leve aumento para 6,2% na Zona do Euro.
No cenário doméstico, a principal expectativa gira em torno do Boletim Focus. Divulgado semanalmente pelo Banco Central, o relatório compila as projeções de economistas de diversas instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos, como inflação (IPCA), taxa Selic, crescimento do PIB e cotação do dólar. A chance de mais uma revisão para cima das projeções de inflação é um ponto de atenção, pois isso pode significar menos espaço para cortes nos juros, um fator que tem pesado sobre o humor dos investidores.
Cenário global sob observação
Além dos dados de atividade industrial, a ge extra-mercado também continua no radar. A situação no Oriente Médio, com os embates entre Estados Unidos e Irã, e os recentes ataques de Israel no Líbano, segue gerando incertezas. Qualquer escalada do conflito pode impactar o preço do petróleo e, consequentemente, a inflação global e o apetite por risco dos investidores internacionais. Nesse sentido, o petróleo Brent já sentiu o aperto em maio, com uma retração de 17,4%.
O fluxo de capital estrangeiro foi um dos principais responsáveis pelo mau desempenho do mercado brasileiro em maio. Segundo apuração do Exame Invest, cerca de R$ 14,1 bilhões foram retirados da bolsa brasileira, revertendo o movimento positivo do início do ano. Esse movimento global de rotação de portfólio, com o setor de tecnologia americano voltando a atrair capital, diminui o apelo relativo dos mercados emergentes. Para o Brasil, o cenário de juros altos por mais tempo, inflação teimosa e incertezas fiscais só reforçam essa percepção de risco para o capital internacional.
Empréstimos corporativos na Europa apresentam sinais de melhora
Em um contraponto interessante, os dados vindos da Europa mostram um certo fôlego em um dos segmentos da macroeconomia. O crescimento dos empréstimos corporativos na Zona do Euro atingiu o pico em três anos, segundo o Banco Central Europeu (BCE). Esse indicador pode ser um sinal de confiança das empresas em investir e expandir, o que, em tese, seria positivo para a atividade econômica da região.
No entanto, a leitura completa do impacto desses empréstimos no cenário europeu e mundial dependerá dos demais indicadores que serão divulgados hoje. O cruzamento dessas informações com os dados de PMI e desemprego oferecerá um panorama mais claro sobre a saúde econômica da Europa.
Eleições e outras turbulências
Para completar o quadro, o cenário político interno também segue acompanhado. Uma pesquisa recente, divulgada pelo instituto Real Time Big Data, aponta que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou a liderança em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro. A diferença de 5,1 pontos percentuais supera a margem de erro, indicando uma possível mudança no cenário eleitoral para 2026. Embora não seja um fator direto para o pregão de hoje, a perspectiva eleitoral futura sempre adiciona uma camada de incerteza ou otimismo para o mercado.
Outro ponto de atenção, que surgiu no final de maio, foi a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Essa medida, embora com impactos mais de longo prazo e em segmentos específicos, pode adicionar uma dose de volatilidade e incerteza às relações internacionais e aos negócios que envolvem o Brasil.
Neste pregão, com a B3 aberta até as 17h, o investidor precisará analisar esse grande volume de informações globais e locais. Os PMIs e o Boletim Focus serão os principais holofotes para guiar as estratégias. A forma como esses dados serão precificados pelo mercado definirá se junho terá um começo mais animador para a bolsa brasileira.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.