Segunda-feira agitada no mundo dos remédios, com notícias que vão desde a compra de uma gigante dos genéricos até a trégua na briga das canetas emagrecedoras. E, claro, tudo isso tem impacto direto (ou indireto) no seu bolso. Vamos aos fatos.

EMS abocanha a Medley por US$ 660 milhões

A EMS, uma das maiores farmacêuticas do Brasil, anunciou a compra da Medley, que pertencia à Sanofi. O valor da transação? Uma bagatela de US$ 660 milhões. Para ter uma ideia, é como se a EMS comprasse uns 30 apartamentos de luxo em Ipanema. A aquisição, segundo o JPMorgan, foi fechada com um múltiplo de 18 vezes o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). A previsão é que o negócio seja concretizado em meados de 2026.

E o que isso tem a ver com a Hypera?

A Hypera (HYPE3), dona de marcas como Buscopan e Apracur, também estava de olho na Medley. Mas, no fim das contas, a EMS levou a melhor. E, para alguns analistas, isso pode ser bom para a Hypera. Segundo relatório do JPMorgan, a não aquisição da Medley demonstra “disciplina de capital”, já que existia uma preocupação do mercado de que a Hypera pagasse caro demais pelo ativo. Ou seja, às vezes, não fazer um negócio é o melhor negócio.

O banco, inclusive, reiterou a recomendação de compra para as ações da Hypera (HYPE3), com preço-alvo de R$ 33. Um ponto de atenção, porém, é Carlos Sanchez, fundador da EMS, que detém cerca de 6% das ações da Hypera. Como isso pode influenciar o futuro da empresa? É uma questão para ficar de olho.

Fim da novela do Wegovy? Novo Nordisk e Hims chegam a acordo

Lembra daquela briga judicial envolvendo o Wegovy, medicamento para emagrecer da Novo Nordisk? Pois é, parece que a novela chegou ao fim. A farmacêutica dinamarquesa desistiu do processo contra a Hims & Hers Health, empresa de telemedicina que estava produzindo um genérico do remédio. A decisão veio após um acordo entre as duas empresas.

O que muda com o acordo?

Com o acordo, a Hims poderá vender os medicamentos originais da Novo Nordisk (Ozempic e Wegovy) em sua plataforma digital, pelo mesmo preço que outras plataformas de telemedicina. Além disso, a Hims se comprometeu a não anunciar mais medicamentos manipulados à base de GLP-1 em sua plataforma e em seus canais de marketing. É como se as duas empresas tivessem feito as pazes e decidissem trabalhar juntas.

A reação do mercado foi imediata: as ações da Hims & Hers dispararam mais de 40%, enquanto os papéis da Novo Nordisk subiram 2,66% em Copenhague. Para o investidor, isso mostra como uma notícia pode impactar (e muito) o valor de uma empresa.

O que esperar do mercado farmacêutico?

Com a compra da Medley pela EMS e o acordo da Novo Nordisk com a Hims, o mercado farmacêutico continua em ebulição. A disputa por fatias de mercado, a busca por inovação e a pressão por preços mais acessíveis devem continuar ditando o ritmo do setor. E, para o investidor, é fundamental acompanhar de perto esses movimentos, pois eles podem gerar boas oportunidades (e também alguns riscos).

É importante lembrar que investir em ações envolve riscos, e a decisão final é sempre sua. Mas, com informação e análise, você pode tomar decisões mais conscientes e aumentar as chances de ter bons resultados. E, claro, diversificar a carteira é sempre uma boa estratégia para minimizar os riscos. Afinal, como diz o ditado, não coloque todos os ovos na mesma cesta.