Bom dia, investidor! É quarta-feira, 22 de julho de 2026, e o mercado brasileiro respira fundo no pré-mercado, aguardando o toque da campainha oficial da B3 às 10h. Os futuros no exterior já deram seus recados, e hoje a atenção se volta para dados de inflação no Reino Unido e para desdobramentos importantes aqui dentro, como a assembleia da Vale. Será que o dia reserva volatilidade ou um compasso de consolidação?

Mercado Internacional: O que aconteceu no overnight?

A Ásia fechou a sessão desta quarta-feira com um misto de resultados. Enquanto o índice Kospi sul-coreano engatou uma alta de 0,74%, o japonês Nikkei sentiu um leve recuo de 0,18%. Essa indefinição por lá reflete um pouco da cautela que paira nos mercados globais, ainda digerindo a recuperação vista em Wall Street na véspera e, claro, a persistente preocupação com a escalada dos preços do petróleo e seu potencial efeito cascata na inflação. Na Europa, os mercados abrem com um tom semelhante de cautela, acompanhando os índices de inflação ao consumidor (CPI) e produtor (PPI) que saem hoje do Reino Unido. Esses números têm o potencial de influenciar a percepção sobre a trajetória das taxas de juros por lá, e consequentemente, o humor do investidor em outras praças, incluindo a nossa.

Quem acompanha o cenário global há mais tempo sabe que a inflação, quando descontrolada, é o principal inimigo da renda fixa e um peso e tanto para as ações. Em 2020, vimos um movimento parecido, onde dados de inflação inesperadamente altos fizeram os bancos centrais acenderem o sinal vermelho, freando a euforia dos mercados. A expectativa é que os dados do Reino Unido hoje tragam clareza, mas enquanto eles não saem, o prudência impera.

Expectativas para o mercado brasileiro: Vale e Dólar no radar

No Brasil, a palavra de ordem antes da abertura é expectativa. A mineradora Vale (VALE3) tem um dia crucial, com sua Assembleia Geral Extraordinária (AGE) marcada para hoje. A pauta vai além da sucessão na presidência do conselho de administração, configurando um capítulo importante na disputa pela governança da companhia. A Previ, principal acionista individual, tem sido uma força motriz nas discussões, e o resultado dessa assembleia pode ditar os próximos passos da empresa e, de quebra, ter um impacto relevante no Ibovespa, dada a representatividade da Vale no índice. Na minha leitura, a movimentação em torno da Vale hoje pode ser mais reativa às notícias da assembleia do que aos movimentos do mercado internacional.

Já o dólar, que encerrou a terça-feira em queda a R$ 5,07, deve continuar no radar. Ontem, ele cedeu em sintonia com o cenário externo e com a divulgação de pesquisas eleitorais que, segundo apuração do The Brazil News, apontam vantagem para o presidente Lula no segundo turno. A nova sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, com vigência prevista para hoje, pode trazer um certo suporte à moeda americana ao longo do dia, mas o fluxo de capital e as expectativas internas ainda são fatores determinantes. Acompanhamos esse movimento da moeda americana desde o início do ano, e o patamar de R$ 5,07 tem se mostrado um ponto de atenção para investidores e para a própria política monetária.

O que esperar para o dia?

A sessão desta quarta-feira promete ser de muita atenção, mas talvez com um movimento contido até que os números de inflação do Reino Unido sejam conhecidos e até que tenhamos um panorama mais claro sobre a assembleia da Vale. Os futuros americanos operam em leve alta neste momento, sinalizando um possível otimismo para a abertura em Wall Street. O investidor brasileiro, acostumado com as reviravoltas do nosso mercado, sabe que a antecipação é fundamental. Por isso, o pré-mercado é esse momento de calibragem, onde filtramos as informações globais e preparamos a estratégia para o que vier pela frente.

Para quem investe em bolsa, a volatilidade é o tempero do dia a dia, mas o importante é manter a calma e focar na estratégia de longo prazo. Esses movimentos mais agudos, sejam eles impulsionados por dados de inflação em Londres ou por disputas de governança em mineradoras, são oportunidades para reavaliar o portfólio e ajustar as posições. O mercado não para, e nós também não.