O mercado financeiro brasileiro entra em modo de pausa neste domingo, 28 de junho de 2026. Com a B3 fechada, o momento é de reflexão sobre a semana que passou e de antecipação para os movimentos que prometem agitar os pregões a partir de segunda-feira, às 10h.

A última semana trouxe notícias que ajudaram a temperar o otimismo dos investidores. A divulgação da prévia da inflação de junho, o IPCA-15, mostrou uma desaceleração para 0,41%, vindo de 0,62% em maio. Embora o número anual ainda tenha acelerado levemente, ele ficou abaixo das expectativas, o que, na minha leitura, é um sinal positivo. É um alívio ver que a pressão inflacionária parece dar uma trégua, mesmo que temporária. Essa leitura mais amena por aqui, somada a um contexto de realização de lucros em ações de tecnologia no exterior, favoreceu a rotação de investimentos para outros mercados, impulsionando o Ibovespa para uma alta de 2,98% na semana, terminando em 173.295,14 pontos.

Quem acompanha o mercado de câmbio sabe que o dólar à vista finalizou a semana em R$ 5,1676, com uma leve valorização acumulada de 0,05%. Nada que tirasse o sono dos mais experientes, mas é sempre bom manter os olhos abertos para os ventos que sopram lá de fora, especialmente quando o Fed americano sinaliza seus próximos passos.

Apostas na Selic em Alta

No campo da política econômica, o foco principal recai sobre a taxa Selic. As taxas dos DIs de prazos curtos e intermediários voltaram a ceder com mais força. Isso sinaliza que os investidores estão cada vez mais convencidos de que o Banco Central (BC) não só vai como deve cortar a taxa básica de juros em agosto. Esse movimento de antecipação, aliás, não é novidade. Lembro de situações semelhantes em outros ciclos de corte, onde o mercado, na ânsia por rentabilidade, precificava os cortes antes mesmo do anúncio oficial. A diferença agora é a persistência dessa aposta, com as taxas longas se mantendo relativamente estáveis, indicando que a expectativa de um ciclo mais prolongado de cortes ainda não se consolidou totalmente.

O recuo do petróleo no mercado internacional também deu uma força adicional para a queda dessas taxas. Embora esse tipo de influência externa possa parecer distante, é um lembrete de que nossa economia está conectada a diversos fios invisíveis. Um petróleo mais barato pode significar menos pressão inflacionária em diversos setores, desde o transporte até a produção de insumos.

Cenário de Dividendos: Mudanças e Recomendações

Para quem busca renda passiva, o cenário de dividendos também trouxe novidades. O Banco do Brasil (BBAS3), que já foi um queridinho nesse quesito, mudou sua política de proventos. Se antes o payout era de 45% do lucro líquido, a partir de 2026, essa fatia foi reduzida para 30%. Isso significa que, embora o banco ainda possa apresentar lucros robustos – fechou o primeiro trimestre de 2024 com R$ 9 bilhões –, a distribuição para os acionistas tende a ser menor. Para mim, essa mudança sinaliza uma estratégia do banco em reter mais capital para investimentos internos ou para fortalecer seu balanço. É um movimento cauteloso, mas que pode impactar quem contava com o BB como principal fonte de dividendos.

Em contrapartida, casas de análise continuam de olho em instituições financeiras. A Empiricus, por exemplo, mantém uma carteira recomendada de dividendos com apenas um grande banco, e não é o BB. Essa estratégia de seletividade na escolha de ativos é crucial, especialmente em um cenário de incertezas e mudanças nas políticas corporativas.

Carteiras Recomendadas e o Impacto no Portfólio

Falando em carteiras, a Terra Investimentos manteve sua composição para a semana de 26 de junho a 03 de julho, focando em cinco ações: Sabesp (SBSP3), MBRF (MBRF3), Suzano (SUZB3), Hypera (HYPE3) e Iguatemi (IGTI11). A seleção da semana passada foi positiva, com um desempenho de 4,49% que superou o Ibovespa. No acumulado de 12 meses, a carteira acumula uma alta expressiva de 54,88%, contra 26,68% do índice principal. É interessante notar que, em tempos de volatilidade, ter uma estratégia clara e baseada em fundamentos pode fazer uma diferença gritante no bolso do investidor. Não é sobre acertar qual ação vai subir 10% amanhã, mas sim sobre construir um portfólio resiliente que pode entregar bons retornos no médio e longo prazo. A constância na composição, como fez a Terra, sugere uma convicção forte nessas empresas, mesmo diante de oscilações pontuais, como a da Suzano na última semana.

Por outro lado, a Braskem (BRKM5) tem enfrentado dias difíceis. Liderou as perdas do Ibovespa por duas semanas consecutivas, com uma queda que chama a atenção. No nosso banco de dados interno, a ação acumula uma desvalorização de -46,49% no mês e -19,35% no ano. Esse tipo de volatilidade extrema, especialmente em commodities, me faz lembrar de 2022, quando as incertezas geopolíticas criaram um cenário similar de fortes oscilações. Para quem acompanha o setor de materiais básicos, esses movimentos bruscos costumam estar atrelados a questões de oferta e demanda global, além de discussões internas sobre governança e estratégias futuras da empresa.

Perspectivas para a Próxima Semana

Para a semana que se inicia, o foco continua na política monetária e nos indicadores de inflação. A expectativa de um corte na Selic em agosto é o principal motor para o mercado de renda fixa e pode continuar a impulsionar a busca por ativos de maior risco na renda variável. O cenário internacional, com os próximos passos do Fed e do BCE, também será crucial para definir o humor dos mercados globais e, consequentemente, o nosso. A geopolítica, sempre presente, adiciona uma camada extra de incerteza que não podemos ignorar. Fiquemos atentos aos dados de emprego nos Estados Unidos e aos comunicados dos bancos centrais europeus.

Em suma, o mercado se prepara para mais uma semana de movimentações importantes. Com a inflação cedendo e as apostas na Selic aumentando, o investidor precisa estar atento às oportunidades e aos riscos que se apresentarão, sempre com um olhar crítico e analítico, sem cair na armadilha de seguir o rebanho. Afinal, quem decide sobre o futuro do seu patrimônio é você.