Segunda-feira de ressaca (de Carnaval, claro) nos mercados. Mas, calma, a folia acabou e a agenda da semana promete tirar o mercado dessa calmaria. Nos próximos dias, os investidores vão estar de olho em dados cruciais sobre a economia americana e nas decisões de política monetária que podem vir de lá. Por aqui, o cenário também está no radar, mas com um foco maior no que vem de fora.

Europa sobe, mas com cautela

As bolsas europeias operam em alta nesta manhã, impulsionadas principalmente pelo setor financeiro. O índice pan-europeu Stoxx 600, por exemplo, sobe 0,28%. Mas nem tudo é festa: a bolsa de Frankfurt, na Alemanha, começou o dia animada, mas já esfriou e opera estável. A liquidez também está mais baixa devido ao feriado nos Estados Unidos e na China. Ou seja, o mercado europeu está positivo, mas sem fogos de artifício.

Um ponto que merece atenção é a preocupação com o impacto da inteligência artificial (IA) nos lucros das empresas. Segundo apuração do Valor, temores de que novas ferramentas de IA possam comprimir os lucros de negócios tradicionais têm gerado volatilidade nas bolsas europeias desde o final de janeiro.

Brasil de olho no S&P 500

Enquanto isso, o investidor brasileiro parece estar cada vez mais interessado no mercado americano. Os negócios com microcontratos do S&P 500, índice que reúne as 500 maiores empresas listadas nas Bolsas dos Estados Unidos, dispararam na B3. De acordo com dados da Bolsa brasileira, a média diária de contratos negociados subiu 26% em 2025, atingindo 28,4 mil.

Segundo Renato Munhoz, gerente de Derivativos de Equities da B3, o interesse por esse tipo de contrato se deve à praticidade e à exposição direta ao mercado americano. É como se o investidor brasileiro estivesse diversificando a carteira sem sair de casa, só que olhando para Wall Street. E, sejamos sinceros, com a volatilidade do Ibovespa, dar uma espiada no S&P 500 pode ser uma boa estratégia.

Moedas emergentes em ritmo próprio

Um fato curioso: as moedas de países emergentes estão se mostrando mais estáveis do que as de países desenvolvidos. Os índices de volatilidade do JPMorgan mostram que as moedas de países em desenvolvimento oscilaram menos do que as de seus pares do G7 por quase 200 dias consecutivos – o período mais longo desde 2008. Se ultrapassar 208 dias, marcará um recorde que remonta a 2000.

Essa calmaria, segundo alguns investidores, é resultado de um dólar mais fraco, expectativas de afrouxamento da política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e preços elevados das commodities. Ou seja, uma combinação de fatores que tem favorecido os mercados emergentes.

O que esperar da semana?

Além dos dados dos EUA, que devem dar o tom do mercado nos próximos dias, vale ficar de olho em outros eventos importantes. No Brasil, a agenda ganha força a partir de quarta-feira (18), com a divulgação do Relatório Focus pelo Banco Central, que traz as expectativas do mercado para inflação, juros e crescimento. Na quinta-feira (19), saem os índices de inflação da FIPE (IPC), da FGV (IPC-S e a segunda prévia do IGP-M) e o IBC-Br de dezembro, considerado uma prévia do PIB.

E, claro, não podemos esquecer do feriado do Ano-Novo Lunar na China, que pode reduzir o volume de negociações globais, especialmente em commodities, e afetar cadeias logísticas e o ritmo de transações comerciais na Ásia. Ou seja, a semana promete ser movimentada, com dados importantes, decisões de juros e o fantasma da IA assombrando os mercados. Preparem-se!