Se você acompanha o mercado imobiliário, deve ter visto que a MRV&Co (MRVE3) andou animando o pessoal. E não é pra menos: a companhia fechou o quarto trimestre com números bem interessantes, impulsionados principalmente pela sua unidade MRV Incorporação. Mas nem tudo são flores no mundo dos imóveis. Prepare-se, porque 2026 promete mudanças nos impostos que incidem sobre heranças, doações e compra e venda de imóveis. Vamos entender tudo isso?
MRV No Azul: Vendas Aquecidas e Geração de Caixa
Pra começar com as boas notícias, a MRV Incorporação registrou vendas líquidas de R$2,76 bilhões no último trimestre de 2025, um aumento de quase 6% em relação ao mesmo período de 2024. E não parou por aí! Os lançamentos da divisão somaram quase R$2,85 bilhões, um salto de quase 21% em relação ao trimestre anterior. Bom pra MRV, bom para a construção civil.
E o caixa? Ah, o caixa... A geração de caixa ajustada da MRV Incorporação alcançou R$102,3 milhões no quarto trimestre. Ricardo Paixão, diretor financeiro da MRV&Co, disse à Reuters que esse é “o maior número trimestral nos últimos cinco anos”. Uma baita virada de jogo, como ele mesmo disse.
O Que Explica Esse Desempenho?
É claro que não existe mágica. O setor imobiliário está sentindo os efeitos de uma Selic mais amena e de programas como o Minha Casa Minha Vida, que incentivam a compra da casa própria, principalmente para a população de baixa renda. Com mais gente querendo comprar, as construtoras se animam a lançar novos projetos, e o ciclo se retroalimenta. É como um bolo crescendo no forno: precisa dos ingredientes certos (juros mais baixos, crédito disponível), mas também de um bom padeiro (as construtoras) pra colocar tudo pra funcionar.
A Mordida do Leão Imobiliário: ITCMD e ITBI No Radar
Agora, vamos à parte menos divertida da história: os impostos. Preparem os bolsos, porque vem aí mudanças no ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) e no ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis). Em termos práticos, isso significa que heranças, doações e compras de imóveis podem ficar mais caras a partir de 2026.
O Projeto de Lei Complementar 108/2024 foi promulgado e agora estados e municípios precisam criar suas próprias leis para colocar as novas regras em prática. E o que muda, afinal?
ITCMD: Heranças e Doações Mais Salgadas?
O ITCMD é um imposto estadual que incide sobre a transmissão de bens por herança ou doação. As alíquotas variam de estado para estado, mas o que está em jogo agora é a forma como a base de cálculo desse imposto é definida. A tendência é que o Fisco fique mais rigoroso na avaliação dos bens, buscando valores de mercado mais próximos da realidade. Traduzindo: a chance de você pagar mais imposto na hora de receber uma herança ou doar um imóvel é grande.
ITBI: A Temida Taxa Na Compra do Imóvel
Já o ITBI é um imposto municipal cobrado na transferência de um imóvel entre pessoas vivas. Sabe aquela taxa que você paga quando compra um apartamento? É ele. Assim como no ITCMD, a base de cálculo do ITBI também deve ficar mais criteriosa. Além disso, a Receita Federal deve intensificar o cruzamento de dados, o que pode gerar mais fiscalização e, consequentemente, mais cobranças.
O Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB): O Raio-X dos Imóveis
Pra completar o pacote de novidades, em 2026 entra em vigor o Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB). Esse sistema vai unificar informações sobre todos os imóveis do país, facilitando a fiscalização e o cruzamento de dados por parte da Receita Federal. É como se fosse um raio-X completo de todos os imóveis, com informações sobre proprietários, valores, histórico de transações, etc. Prepare-se para um pente-fino!
O Que Fazer Diante Desse Cenário?
Ainda é cedo para bater o martelo sobre os impactos definitivos dessas mudanças, já que cada estado e município terá que criar suas próprias leis. Mas uma coisa é certa: o planejamento patrimonial e tributário se torna ainda mais importante. Se você está pensando em comprar um imóvel, receber uma herança ou fazer uma doação, procure um especialista para te ajudar a entender as novas regras e a tomar as melhores decisões. Afinal, como diz o ditado, “o seguro morreu de velho”. E no mundo dos impostos, essa máxima vale ouro!
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.