O mercado de streaming segue agitado e a Netflix acaba de dar mais um capítulo nessa história. A empresa divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2025, superando as expectativas de Wall Street com um lucro líquido de US$ 2,41 bilhões e um total de 325 milhões de assinantes. A receita também impressionou, atingindo US$ 12,05 bilhões, um aumento de 17,6% em relação ao ano anterior. Os números são robustos e mostram que a gigante do streaming continua relevante, mesmo com a crescente concorrência.

No entanto, nem tudo são flores no reino da Netflix. A grande novela do momento é a possível aquisição dos estúdios e do negócio de streaming da Warner Bros. Discovery (WBD). A negociação, que já se arrasta há alguns meses, parece estar perto de um desfecho, mas ainda gera incertezas e impacta as ações da companhia.

O que rolou com a Warner?

A Netflix, que já havia feito uma proposta inicial, aprimorou sua oferta, propondo um pagamento 100% em dinheiro pela Warner. Segundo a empresa, a mudança visa simplificar a estrutura da transação e acelerar o processo. Afinal, tempo é dinheiro, e no mundo dos negócios, cada dia conta. A proposta da Netflix avalia cada ação da WBD em US$ 27,75. A Paramount Skydance também está na briga pela Warner, o que acirra ainda mais a disputa.

Por que a cautela da Netflix?

Apesar dos bons resultados, a Netflix apresentou uma projeção mais conservadora para os próximos meses. A empresa espera um lucro por ação de US$ 0,76 no trimestre atual, abaixo das estimativas de Wall Street, que giravam em torno de US$ 0,82. A receita projetada é de US$ 12,2 bilhões, em linha com as expectativas. Essa cautela, segundo a empresa, se deve aos maiores gastos com programação e ao custo da conclusão do acordo com a Warner Bros. Discovery.

A Netflix planeja aumentar em 10% os gastos com filmes e séries em 2026, o que demonstra o compromisso da empresa em investir em conteúdo de qualidade para atrair e reter assinantes. No ano passado, a Netflix gastou cerca de US$ 18 bilhões em programação, um valor considerável que reflete a estratégia da empresa em se manter na liderança do mercado.

Impacto no mercado e no Ibovespa

Após a divulgação dos resultados, as ações da Netflix chegaram a cair 5,1% no after-market, refletindo a preocupação dos investidores com as projeções mais conservadoras e os custos da aquisição da Warner. É importante lembrar que o mercado de ações é movido por expectativas, e qualquer sinal de incerteza pode gerar volatilidade.

Apesar do impacto nas ações da Netflix, o mercado brasileiro, representado pelo Ibovespa, não deve sentir um efeito direto tão grande. O Ibovespa, que recentemente atingiu sua máxima histórica, é mais influenciado por fatores internos, como o desempenho da Petrobras, dos grandes bancos e de outras empresas de peso na bolsa. No entanto, o humor do mercado global sempre tem um impacto indireto, e é importante ficar de olho nos desdobramentos dessa história.

Para investidores com perfil mais arrojado, a queda nas ações da Netflix pode representar uma oportunidade de compra, acreditando no potencial de crescimento da empresa a longo prazo. Para os mais conservadores, é importante manter a cautela e acompanhar de perto os próximos passos da negociação com a Warner e os resultados futuros da empresa. Afinal, investir é como plantar uma árvore: exige paciência, cuidado e acompanhamento constante.

O que esperar do futuro?

Ainda é cedo para cravar o futuro da Netflix e da Warner. A negociação ainda não foi concluída e pode haver reviravoltas no caminho. No entanto, uma coisa é certa: a união das duas empresas criaria uma gigante do entretenimento, com um catálogo vastíssimo de filmes, séries e programas de TV. Isso poderia representar um grande desafio para os concorrentes, como Disney+, Amazon Prime Video e outros serviços de streaming. Resta aguardar os próximos capítulos dessa novela e ver como o mercado irá reagir.