A Netflix dominou o noticiário nos últimos meses, e não foi só por causa de mais uma série viral. A gigante do streaming fechou 2025 com 325 milhões de assinantes, receita acumulada de US$ 45,2 bilhões e a aquisição da Warner Bros. Discovery praticamente sacramentada. Um combo que, em tese, colocaria a empresa em um patamar ainda mais alto no mercado financeiro. Mas a realidade, como sempre, é um pouco mais complexa.
Nesta quarta-feira, as ações da Netflix sentiram o peso de um guidance (projeção de resultados) considerado fraco para o próximo trimestre, derrubando os papéis no pré-mercado. Mesmo com os números do quarto trimestre de 2025 superando as expectativas, a previsão de lucro por ação de US$ 0,76 sobre vendas de US$ 12,16 bilhões não empolgou os investidores. Para efeito de comparação, analistas esperavam um lucro de US$ 0,81 por ação sobre vendas de US$ 12,19 bilhões.
O que pesa sobre as ações da Netflix?
É importante entender que o mercado financeiro vive de expectativas. Os resultados passados são importantes, claro, mas o que realmente move as ações são as perspectivas futuras. E, nesse quesito, a Netflix deixou a desejar. A receita do quarto trimestre de 2025, que somou US$ 12,05 bilhões, superou as estimativas de US$ 11,97 bilhões, representando um crescimento de 17,6%. Nada mal, certo? Mas o problema está no guidance para o primeiro trimestre de 2026, que não acompanhou esse ritmo de crescimento.
O Itaú BBA, em relatório, avaliou que a Netflix apresentou bons resultados no trimestre, mas trouxe projeções pouco animadoras. Segundo o banco, uma análise superficial dos números poderia indicar uma leve desaceleração do crescimento da receita, entre 12% e 14% na comparação anual em 2026, abaixo dos 16% registrados em 2025. É como se a Netflix estivesse correndo uma maratona em ritmo forte, mas diminuísse um pouco o passo na reta final.
A aquisição da Warner: trunfo ou dor de cabeça?
A grande cartada da Netflix para os próximos anos é, sem dúvida, a aquisição da Warner Bros. Discovery, avaliada em US$ 82,7 bilhões. A operação, se aprovada, unirá dois gigantes do entretenimento, criando um império de conteúdo com potencial para atrair ainda mais assinantes e impulsionar as receitas. Imagine juntar a biblioteca da Netflix com os filmes e séries da Warner, HBO e DC Comics. É conteúdo que não acaba mais!
Apesar do potencial inegável, a aquisição da Warner também traz alguns desafios. O primeiro deles é financeiro. Para vencer a concorrência da Paramount/Skydance, a Netflix ofereceu uma transação 100% em dinheiro, chegando a pausar o programa de recompra de ações para garantir a compra. Essa decisão, embora estratégica, pode ter pesado na avaliação do mercado, já que a recompra de ações é uma forma de devolver valor aos acionistas.
Além disso, a integração de duas empresas desse porte nunca é simples. Há questões culturais, operacionais e estratégicas que precisam ser alinhadas para que a sinergia seja realmente efetiva. É como tentar juntar duas peças de um quebra-cabeça que, à primeira vista, não se encaixam. Se a Netflix conseguir fazer essa integração de forma bem-sucedida, o potencial de crescimento é enorme. Caso contrário, a aquisição pode se tornar um fardo pesado demais para carregar.
E agora, o que esperar das ações da Netflix?
O futuro das ações da Netflix é incerto, como o futuro de qualquer empresa no mercado financeiro. Mas alguns fatores podem influenciar o desempenho dos papéis nos próximos meses. O principal deles é, sem dúvida, a evolução da aquisição da Warner. Se a operação for aprovada sem grandes obstáculos e a integração ocorrer de forma eficiente, as ações da Netflix podem se beneficiar do potencial de crescimento da empresa combinada.
Outro fator importante é a capacidade da Netflix de continuar atraindo e retendo assinantes. A concorrência no mercado de streaming está cada vez mais acirrada, com novos players surgindo a todo momento. Para se manter na liderança, a Netflix precisa continuar investindo em conteúdo de qualidade, inovando em seus produtos e serviços e oferecendo uma experiência diferenciada aos seus assinantes. É como um equilibrista que precisa se manter em constante movimento para não cair.
Por fim, é importante lembrar que o mercado financeiro é volátil e imprevisível. As ações da Netflix podem subir ou descer dependendo de uma série de fatores, incluindo o humor dos investidores, as notícias do mercado e as condições econômicas globais. Por isso, é fundamental que cada investidor faça sua própria análise e tome suas decisões com base em seus objetivos e perfil de risco. Afinal, no mundo dos investimentos, não existe fórmula mágica nem garantia de sucesso.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.