Se você acompanha o mercado financeiro, certamente notou: o ouro não para de subir. Nesta quinta-feira, o metal precioso renovou seu recorde histórico, encostando nos US$ 5.600 por onça-troy. Para quem acompanha de perto, a pergunta que não quer calar é: ainda dá tempo de entrar nessa festa, ou o ouro já esticou demais?

O rali do ouro, que já dura nove sessões consecutivas, tem sido impulsionado por uma combinação explosiva de fatores. Para começar, as tensões geopolíticas no Oriente Médio, com o Irã no centro das atenções, geram uma busca por ativos considerados “porto seguro”. Afinal, em tempos de incerteza, o ouro sempre brilhou como uma reserva de valor confiável.

Mas não é só a geopolítica que está impulsionando o ouro. Nos Estados Unidos, a crescente desconfiança na independência do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, também tem pesado. As ameaças do governo Trump de substituir o presidente do Fed, Jerome Powell, e as investigações contra membros da autoridade monetária geram instabilidade e favorecem a busca por alternativas como o ouro.

O que dizem os especialistas?

As opiniões sobre o futuro do ouro divergem. O Goldman Sachs, por exemplo, em relatório recente, aponta que as preocupações com a trajetória fiscal e a incerteza política no Japão também contribuem para pressionar o preço do metal. O banco americano, no entanto, vê os níveis atuais como um ponto de entrada incerto para investidores táticos.

“Uma resolução desses fatores poderia provocar uma correção temporária, enquanto qualquer novo aumento dos riscos geopolíticos ou fiscais poderia sustentar uma consolidação ou até preços mais altos”, afirmam os analistas Lina Thomas e Daan Struyven no relatório.

No longo prazo, o Goldman Sachs mantém uma visão favorável para o ouro, impulsionada pela força estrutural das compras de bancos centrais de mercados emergentes. O cenário-base do banco é de que o ouro esteja em US$ 5.400 por onça-troy até dezembro de 2026. No entanto, a estimativa tem risco altista, uma vez que não incorpora a possível diversificação adicional.

Já Soni Kumari, analista do ANZ, destaca que a demanda por refúgio seguro é o principal motor da alta do ouro. “Os preços do ouro estão subindo por demanda por refúgio seguro devido à estranha situação geopolítica e até mesmo à situação política nos Estados Unidos, que não parece boa”, disse Kumari.

Como investir em ouro?

Para quem se interessou em investir em ouro, existem algumas opções. A mais tradicional é comprar barras ou moedas de ouro físico. No entanto, essa alternativa exige cuidados com a segurança e o armazenamento.

Uma opção mais prática é investir em fundos de ouro. Esses fundos aplicam em contratos futuros de ouro ou em empresas do setor de mineração. A vantagem é a facilidade de investir e a diversificação, já que o fundo investe em diversos ativos relacionados ao ouro.

Outra alternativa são os ETFs (Exchange Traded Funds) de ouro. Os ETFs são fundos de índice que replicam o desempenho do preço do ouro. Eles são negociados na bolsa de valores como se fossem ações.

O que esperar do futuro?

É impossível prever com certeza o que acontecerá com o preço do ouro. No entanto, o cenário atual de incertezas globais e desconfiança nos mercados financeiros sugere que o metal precioso pode continuar atraindo investidores em busca de proteção.

É importante lembrar que investir em ouro, como qualquer outro investimento, envolve riscos. O preço do ouro pode ser volátil e influenciado por diversos fatores, como a taxa de juros nos Estados Unidos, a inflação global e o desempenho do dólar. A Selic no Brasil também pode impactar indiretamente, afetando o apetite por risco dos investidores.

Antes de investir em ouro, é fundamental pesquisar, analisar o seu perfil de risco e diversificar a sua carteira. Afinal, como diz o ditado, não coloque todos os ovos na mesma cesta. E, claro, não se esqueça de que este artigo é apenas informativo e não constitui recomendação de investimento. A decisão final é sempre sua.

O mercado de ações pode ser uma alternativa interessante para quem busca retornos mais elevados, mas também envolve mais riscos. A decisão de investir em ouro ou em ações depende dos seus objetivos e do seu apetite por risco.