O dia foi de notícias importantes para a Petrobras (PETR3; PETR4), com impactos que podem ser sentidos no bolso do consumidor e na estratégia de longo prazo da companhia. A estatal anunciou uma redução de 7,8% no preço do gás natural para as distribuidoras a partir de fevereiro e, de quebra, a diretora de Transição Energética e Sustentabilidade, Angélica Laureano, jogou no ar a possibilidade da empresa voltar a atuar na Venezuela. Vamos aos detalhes?

Gás mais barato: alívio no bolso?

A redução de 7,8% no preço do gás natural é uma boa notícia, principalmente para quem sente o impacto direto no custo do gás de cozinha ou nos preços de produtos que dependem do insumo para serem produzidos. Mas calma, não espere uma queda imediata nos preços. A redução anunciada pela Petrobras se refere ao preço da molécula do gás, que é apenas uma parte do custo final. Além disso, os contratos com as distribuidoras preveem ajustes trimestrais, atrelados ao preço do petróleo Brent e à taxa de câmbio R$/US$. Ou seja, a variação cambial e o preço do petróleo podem diluir ou até mesmo anular essa redução.

É importante lembrar que essa queda não é um ato de generosidade repentina da Petrobras. O preço do gás acompanha as flutuações do mercado internacional e, com a recente queda do petróleo, era natural que houvesse um ajuste. A questão é: será que essa queda será repassada integralmente ao consumidor final?

De olho na Venezuela: oportunidade ou risco?

A declaração da diretora da Petrobras sobre a possível exploração de gás na Venezuela gerou um certo burburinho no mercado. Afinal, o país vizinho possui vastas reservas de gás natural, mas também enfrenta instabilidade política e econômica. Segundo a diretora, a entrada na Venezuela “pode ser uma alternativa” na busca por novas fontes de gás natural. A Petrobras já possui um projeto de gás na Colômbia, o que demonstra o interesse da empresa em expandir sua atuação na América do Sul.

Mas antes de sonhar com um novo El Dorado, é preciso ter cautela. A diretora ressaltou que o mercado ainda precisa avaliar a situação na Venezuela e que a conjuntura precisa “evoluir”. Em outras palavras, a Petrobras está de olho, mas não vai se aventurar sem antes analisar os riscos. Essa declaração, soa muito como um “estamos de olho”, do que um “vamos entrar”.

Para investidores que acompanham de perto, a sinalização pode mexer com as expectativas, seja para o bem, seja para o mal. É esperar para ver os próximos capítulos dessa novela.

E o que esperar das ações da Petrobras?

É impossível prever o futuro das ações da Petrobras com 100% de certeza. Mas, como jornalista de economia há 8 anos, posso dizer que a performance da empresa na bolsa depende de uma série de fatores, incluindo o preço do petróleo, a política de preços da companhia, o cenário político e econômico, e a percepção dos investidores em relação aos riscos e oportunidades da empresa.

A notícia da possível exploração na Venezuela, por exemplo, pode ser vista como uma oportunidade de crescimento, mas também como um risco adicional. A redução no preço do gás natural pode impactar negativamente a receita da empresa, mas também pode aumentar a competitividade dos produtos brasileiros.

Analistas do JPMorgan, por exemplo, frequentemente revisam suas recomendações e preços-alvo para as ações da Petrobras, levando em consideração esses e outros fatores. Mas, no fim das contas, a decisão de investir ou não na Petrobras é sua. E lembre-se: diversificar é sempre a melhor estratégia para proteger seu patrimônio.

A Vale (VALE3), por exemplo, também enfrenta seus próprios desafios, com as oscilações no preço do minério de ferro e as questões ambientais. Investir em uma única empresa é como apostar todas as suas fichas em um único número na roleta: pode dar certo, mas as chances de perder são grandes.

Como sempre digo, o mercado financeiro é dinâmico e imprevisível. O importante é se manter informado, analisar os riscos e oportunidades, e tomar decisões conscientes, de acordo com seus objetivos e perfil de investidor. E se precisar de ajuda, procure um profissional qualificado. Afinal, investir é coisa séria, e não dá para brincar com o seu dinheiro.