O pregão desta quarta-feira (24) marcou um dia de perdas para a bolsa brasileira, com o Ibovespa fechando em queda. O principal vilão da vez atende pelo nome de petróleo. Os contratos futuros do barril caíram forte pelo terceiro dia consecutivo, refletindo a normalização dos fluxos no Estreito de Ormuz e o avanço das negociações entre EUA e Irã. O WTI para agosto recuou 3,92%, a US$ 70,34, enquanto o Brent para setembro tombou 3,81%, a US$ 73,87.
Essa maré vermelha no setor de energia não perdoou as ações da Petrobras. Os papéis PETR4 fecharam com desvalorização de 2,08%, a R$ 38,51, e PETR3 acompanhou no vermelho. Quem acompanha o setor sabe que o petróleo é o termômetro para as estatais brasileiras. Não é a primeira vez que vemos esse movimento sincronizado; em 2023, por exemplo, uma queda abrupta nos preços do barril também arrastou as ações da gigante brasileira para baixo, mostrando um padrão recorrente de forte correlação.
No Ibovespa, a Petrobras pesou, mas não foi a única. A Vale, apesar de não ter um dia tão impactado pelo petróleo diretamente, também recuou 0,97%. No campo positivo, Cemig (CEAB3) se destacou com alta de 6,42%, seguida por Hypera (HYPE3) e Cyrela (CYRE3). Prio (PRIO3), por outro lado, liderou as perdas do índice com -2,76%.
A conjuntura externa foi dominada pela notícia de que o presidente americano Donald Trump comentou que o Irã informou Washington sobre a não cobrança de pedágios em Ormuz. Isso, somado à visita do secretário de Estado dos EUA ao Kuwait, onde um grupo técnico de negociação voltará ao Oriente Médio em breve, sinaliza um alívio nas tensões. Segundo o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, cerca de 72 navios cruzaram o estreito nas últimas 24 horas, transportando aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo, o que, para mim, é o sinal mais claro de que o mercado precificou um risco menor na região.
No cenário doméstico, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV apresentou uma ligeira queda de 0,1 ponto em junho, totalizando 88,7 pontos. A percepção sobre a situação atual melhorou, atingindo o maior nível desde outubro de 2014, mas as expectativas para os próximos meses não acompanharam esse otimismo. Essa dualidade é algo que observamos com frequência: o consumidor percebe o presente de forma mais positiva, mas a incerteza sobre o futuro ainda dita cautela.
Para quem investe em renda fixa no Brasil, a queda do petróleo pode ser um alento em meio a um cenário de Selic ainda elevada. O fluxo cambial divulgado pelo Banco Central, que veremos mais a fundo amanhã, também é um ponto de atenção. Em minha leitura, a busca por maior estabilidade e previsibilidade nos portfólios continua sendo a estratégia dominante para muitos investidores, e ativos atrelados à renda fixa e empresas com bons dividendos, como a Petrobras historicamente tem apresentado (com um dy de 7.60%), tendem a se beneficiar em períodos de maior volatilidade.
Esse movimento de queda do petróleo, embora preocupante para os dividendos de curto prazo de estatais, pode trazer um fôlego para a inflação no longo prazo. A descompressão nos preços das commodities é, em tese, uma boa notícia para a política monetária, pois pode aliviar a pressão inflacionária e abrir mais espaço para o Banco Central seguir com seu ciclo de corte da Selic. No entanto, o cenário internacional, com tensões geopolíticas em outras frentes, ainda é um fator de risco a ser monitorado de perto.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.