A manhã desta terça-feira (14) está sendo marcada por um clima de apreensão nos mercados globais, e quem sente isso diretamente é o seu bolso. A tensão crescente entre Estados Unidos e Irã, com ataques intensificados e um bloqueio naval restabelecido ao país persa, está empurrando os preços do petróleo para cima e, consequentemente, pressionando as taxas de juros futuras (DIs) por aqui. O Ibovespa, nosso principal índice da bolsa, segue de olho em tudo isso, além de uma bateria de dados econômicos importantes vindo dos EUA e da China.
Petróleo dispara com conflito no Oriente Médio
Parece que a paz no Oriente Médio está cada vez mais longe, e o mercado de petróleo é um dos primeiros a sentir o baque. Os contratos futuros do petróleo Brent já avançam mais de 3%, superando os US$ 86 por barril, o nível mais alto em um mês. O West Texas Intermediate (WTI) também segue o embalo, ultrapassando os US$ 80. Essa escalada de ataques, com os EUA reagindo e o presidente Trump impondo um bloqueio ao transporte marítimo iraniano e propondo taxas de segurança para o Estreito de Ormuz, gera incerteza sobre o fluxo de energia e, claro, eleva os preços.
Quem acompanha o mercado de energia há algum tempo sabe que esse tipo de conflito no Oriente Médio tem um efeito cascata quase imediato. Em 2023, por exemplo, vimos picos de volatilidade no petróleo com anúncios de sanções, e o padrão se repete agora. A diferença é que dessa vez, a retórica e as ações parecem mais contundentes, jogando o barril para cima com força total.
Juros futuros sobem e dólar se valoriza
Não é só o petróleo que está sentindo a pressão. Aqui no Brasil, a curva de juros futuros fechou a segunda-feira (13) em forte alta, especialmente nos vencimentos de médio prazo. A taxa DI para janeiro de 2027 avançou 5 pontos-base, fechando a 13,955%, enquanto a DI para janeiro de 2029 saltou 25 pontos-base, atingindo 14,230%. Os vencimentos mais longos, como o de 2036, também acompanharam o movimento, subindo 15 pontos-base.
Esse movimento de alta nas DIs é uma reação direta ao aumento do temor inflacionário global, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e, consequentemente, pela alta do petróleo. Quando o petróleo sobe, os custos de transporte e produção aumentam, o que tende a pressionar a inflação. Essa expectativa leva os investidores a precificarem juros mais altos no futuro, tanto para compensar o risco inflacionário quanto para acompanhar o movimento de alta de juros que pode vir de outros bancos centrais, como o Federal Reserve dos EUA. O dólar à vista, inclusive, já encerrou o pregão de ontem em alta, batendo R$ 5,13.
Na minha leitura, o Banco Central brasileiro está em uma posição delicada. Com a inflação interna dando sinais de alívio recente, como o IPCA de junho mais fraco que o esperado, a tentação de manter uma política monetária mais flexível existe. No entanto, o cenário externo, com o petróleo em alta e os juros americanos como um horizonte constante de atenção, força uma postura mais cautelosa. Acompanhamos o Copom há anos e essa dança entre dados internos e pressão externa é um dilema recorrente para a nossa política monetária.
EUA e China no radar dos investidores
Enquanto o Oriente Médio dita a volatilidade no setor de energia, o mercado brasileiro também fica de olho em dados vindos de outras partes do mundo. Os Estados Unidos divulgam hoje o CPI, o índice de preços ao consumidor, que é um termômetro crucial para a inflação e as futuras decisões do Federal Reserve sobre a taxa de juros americana. A expectativa é que as falas do presidente do Fed, Kevin Warsh, no Congresso, também moldem o sentimento dos investidores.
Além disso, uma bateria de indicadores chineses está no radar: PIB, produção industrial, vendas no varejo, taxa de desemprego e balança comercial. Números fortes da China podem dar um fôlego extra para as commodities e, por tabela, para empresas brasileiras ligadas a esse setor. Por outro lado, dados fracos podem gerar um sentimento de aversão ao risco global.
Embraer lança novo jato e Bank of America supera expectativas
Em termos corporativos, a Embraer anunciou hoje o lançamento do seu novo jato leve Phenom 300EV, com entregas previstas para 2028. A aeronave traz melhorias de desempenho, interior e tecnologias de segurança, incluindo pouso totalmente automatizado. Já nos EUA, o Bank of America divulgou resultados do segundo trimestre acima das expectativas, com lucro líquido de US$ 9,1 bilhões.
Essas notícias pontuais, embora importantes para as empresas em questão, parecem ter um peso menor no cenário atual, dominado pelas tensões geopolíticas e seus reflexos macroeconômicos. Para o investidor brasileiro, o recado é claro: a diversificação continua sendo a palavra de ordem. Carteiras mais resistentes a choques externos e com exposição a diferentes classes de ativos tendem a navegar melhor em tempos de incerteza como este.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.