O mercado financeiro amanheceu com o humor ditado pelo petróleo, e não foi um humor dos melhores. A forte queda da commodity, impulsionada por sinais de arrefecimento nas tensões entre Estados Unidos e Irã, jogou um balde de água fria no Ibovespa e botou lenha na fogueira do dólar.
Por que o Petróleo Despencou?
A resposta curta: Donald Trump. O presidente americano deu declarações que diminuíram a probabilidade de um ataque militar dos EUA ao Irã. E, convenhamos, com Trump, tudo pode mudar em um tweet. Mas, por ora, o mercado respirou aliviado (ou nem tanto, dependendo do seu ponto de vista e dos seus investimentos). A consequência imediata foi uma queda expressiva nos preços do petróleo. Para você ter uma ideia, o Brent, referência internacional, chegou a recuar mais de 4%. O WTI, negociado nos EUA, seguiu o mesmo caminho.
E por que essa queda toda? Simples: o mercado precificava um risco muito maior de conflito no Oriente Médio, o que poderia interromper o fornecimento de petróleo. Com o risco menor, a pressão compradora diminui, e os preços corrigem. É como se o mercado dissesse: "Opa, espera aí, não preciso mais estocar tanto petróleo assim".
Ibovespa Sentiu o Golpe
O Ibovespa, nosso principal índice de ações, não gostou nada dessa história. A queda do petróleo pesou sobre as ações da Petrobras (Petrobras), que, como você sabe, têm um peso considerável no índice. As ações da Petrobras devolveram parte dos ganhos recentes, que vinham ajudando a impulsionar o Ibovespa. Vale lembrar que a Petrobras, por ser uma gigante do setor, acaba servindo como termômetro do mercado brasileiro, para o bem e para o mal.
Rubens Cittadin, operador de renda variável da Manchester Investimentos, já havia cantado essa bola: as ações da Petrobras devolveriam parte dos ganhos. Dito e feito.
Dólar Dispara: Câmbio em Alerta
Se o Ibovespa não gostou, o dólar se aproveitou da situação. A moeda americana ganhou força, batendo a casa dos R$ 5,40. A aversão ao risco, provocada pela incerteza no cenário internacional, impulsionou a busca por ativos considerados mais seguros, como o dólar. É aquele velho porto seguro em tempos de turbulência.
Além disso, as atenções se voltam para a atuação do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Declarações de seus dirigentes são aguardadas com lupa pelo mercado, que busca pistas sobre os próximos passos da política monetária dos EUA. E, como você já deve estar cansado de saber, qualquer sinalização mais "hawkish" (mais dura) do Fed tende a fortalecer o dólar.
E Agora, José? (Ou Melhor, Investidor?)
A pergunta que não quer calar: o que fazer diante desse cenário? A resposta, como sempre, não é simples. Mas algumas considerações são importantes.
- Diversificação é a chave: Nunca coloque todos os ovos na mesma cesta. Uma carteira diversificada, com ativos de diferentes classes e setores, ajuda a mitigar os riscos.
- Calma e sangue frio: O mercado financeiro é volátil por natureza. Não se deixe levar pelo pânico em momentos de queda, nem pela euforia em momentos de alta.
- De olho no Fed: As decisões do Federal Reserve têm um impacto significativo no mercado global. Acompanhe de perto as notícias e análises sobre a política monetária americana.
- Análise, não achismo: Use dados e informações para tomar decisões de investimento, e não meros palpites. Consulte profissionais qualificados e fontes confiáveis.
Lembre-se: o mercado financeiro é uma maratona, não uma corrida de 100 metros. É preciso ter paciência, disciplina e estratégia para alcançar seus objetivos. E, acima de tudo, não se esqueça de que a decisão final é sempre sua.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.