O mercado de petróleo e gás segue aquecido em 2026, mas a seletividade dos investidores está em alta. Depois de um ano de balanços robustos para algumas empresas do setor, o foco agora é em quem consegue entregar resultados consistentes e dividendos atrativos. É como escolher entre um restaurante que sempre te agrada e um que depende do humor do chef: a previsibilidade conta muito.

O que os investidores estão de olho?

Segundo um levantamento do Itaú BBA, que ouviu mais de 50 investidores no Brasil e no Chile, a prioridade é clara: empresas com assimetria positiva (ou seja, mais chances de surpresas boas do que ruins), geração de caixa previsível e catalisadores de curto prazo. Em bom português, o pessoal quer saber onde o dinheiro vai render e quando.

Nesse cenário, algumas empresas se destacam mais que outras. A PRIO (PRIO3) e a Vibra (VBBR3) são as queridinhas da vez, enquanto a Petrobras (PETR4) e a Ultrapar (UGPA3) inspiram mais cautela. A OceanPact (OPCT3) começa a despertar o interesse de alguns gestores.

PRIO: a aposta na geração de caixa e dividendos

A PRIO, antiga PetroRio, parece ser o nome da vez. A empresa entra em 2026 com as rédeas da operação nas mãos e um plano bem definido. A projeção de geração de caixa acima de 30% em 2027, aliada a um dividend yield (retorno do dividendo em relação ao preço da ação) estimado entre 15% e 20%, é o que tem atraído os investidores. Para quem não está familiarizado, dividendos são como aluguéis: você recebe uma grana periodicamente sem precisar vender o “imóvel”, ou seja, as ações.

Além disso, o primeiro óleo do campo de Wahoo, previsto para março ou abril, é visto como um grande catalisador para a empresa neste ano. É como se fosse a cereja do bolo, o evento que pode impulsionar ainda mais as ações.

Petrobras: cautela em meio a incertezas

Do outro lado da balança, a Petrobras gera mais dúvidas. As incertezas estratégicas, a geração de caixa limitada (ou já comprometida) e a falta de gatilhos claros são os principais motivos para a cautela. É importante lembrar que a Petrobras, por ser uma empresa estatal, está sujeita a decisões políticas que podem impactar seus resultados. E, no mundo dos investimentos, incerteza é sinônimo de risco.

E o varejo brasileiro?

Apesar do foco no setor de óleo e gás, é sempre bom ficar de olho no cenário geral. Afinal, o preço dos combustíveis impacta diretamente o bolso do consumidor e, consequentemente, o desempenho do varejo. Empresas como Magazine Luiza, Lojas Renner e até mesmo a SmartFit podem sentir os efeitos de um aumento ou queda nos preços da gasolina e do diesel.

As estratégias de varejo, portanto, precisam levar em conta esse fator. Promoções, programas de fidelidade e até mesmo a localização das lojas podem ser ajustados para atrair e fidelizar clientes em um cenário de preços voláteis. No fim das contas, o mercado é como uma orquestra: cada instrumento (setor) tem seu papel, mas o som final depende da harmonia entre todos eles.

O mercado de petróleo e gás segue ditando o ritmo de muitos outros setores, e a atenção dos investidores está voltada para empresas que demonstram solidez e previsibilidade. Resta acompanhar os próximos capítulos e ver quem vai entregar os melhores resultados.