Sextou, e o mercado financeiro brasileiro encerrou a semana com os olhos voltados para o setor de energia. Teve petróleo dando sinais de vida, etanol com produção aquecida e uma Raízen (RAIZ4) patinando, pelo menos na visão de alguns analistas. Vamos aos detalhes?
Petróleo: um sopro de otimismo para a América Latina?
O petróleo pode estar ensaiando uma recuperação, e isso pode ser um bom sinal para a bolsa brasileira. O Bradesco BBI, por exemplo, vê um potencial de impacto positivo duplo para a América Latina: tanto na macroeconomia, quanto pela forte presença do setor de energia nas bolsas da região.
Para quem gosta de nomes, o banco incluiu a PRIO (PRIO3) na sua carteira modelo para a América Latina, destacando a sensibilidade dos lucros da empresa ao preço do Brent, o crescimento robusto da produção e os custos considerados baixos. A projeção é de que o Brent se estabilize no curto prazo e avance gradualmente ao longo do ano.
Ainda segundo o Bradesco BBI, mesmo com o excesso de oferta global (Brasil, Guiana e Argentina estão aí para provar), o setor de energia continua “subponderado” nos índices e com múltiplos deprimidos, o que, na visão deles, abre oportunidades interessantes. É como encontrar uma joia rara em meio a pedras brutas.
Etanol: usinas a todo vapor (ou quase)
A produção de etanol no Centro-Sul do Brasil acelerou na primeira quinzena de janeiro, impulsionada principalmente pelo etanol de milho. Os números da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) mostram um aumento de 16% na comparação com o ano anterior, com 427,42 milhões de litros produzidos.
O etanol de milho representou a maior parte desse volume, com 384,49 milhões de litros – um crescimento de 8,50% em relação ao mesmo período da safra passada. No acumulado da safra 2025/26, já são 7,25 bilhões de litros de etanol de milho, um salto de 13,67%. Sinal de que o milho está virando um combustível cada vez mais relevante.
Claro que nem tudo são flores: a produção total de etanol, incluindo o de cana, caiu 4,8% para 31,3 bilhões de litros. A explicação? As usinas priorizaram a produção de açúcar em boa parte da safra, antes de ajustarem o “mix” para aproveitar a melhora na competitividade do etanol. É como um jardineiro que decide qual planta regar mais, dependendo da estação.
Raízen: cautela no radar
Nem tudo são boas notícias no setor. A XP Investimentos rebaixou a recomendação para as ações da Raízen (RAIZ4), de compra para neutro, e cortou o preço-alvo de R$ 2,70 para R$ 1,10. Calma, investidor! Isso ainda representa um potencial de alta de quase 30% em relação ao fechamento anterior, mas a corretora demonstra cautela com o setor sucroenergético como um todo.
Por outro lado, a XP elevou o preço-alvo da São Martinho (SMTO3) de R$ 13,90 para R$ 14,80, mantendo a recomendação neutra. Ou seja, no mundo dos investimentos, nem sempre a maré está para todos os lados. Cada empresa tem suas particularidades e desafios.
Ibama x Petrobras: uma tempestade no horizonte?
Para completar o cenário, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) deve autuar a Petrobras por conta do vazamento de fluido na Foz do Amazonas. Mais um capítulo da novela entre a estatal e as questões ambientais. Resta saber qual será o impacto disso para a companhia e para o mercado.
E para quem busca renda fixa?
Para quem busca alternativas no mercado de renda fixa, o setor de energia e combustíveis também oferece opções interessantes. É possível encontrar CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) ligados a empresas do setor, além de debêntures emitidas por companhias do ramo.
Os FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário) também podem ter exposição ao setor, com alguns fundos investindo em galpões logísticos utilizados para armazenagem e distribuição de combustíveis. Vale a pena pesquisar e diversificar, lembrando sempre de analisar os riscos e o perfil de cada investimento.
E assim fechamos a sexta-feira, com o mercado de energia e combustíveis fervendo e com oportunidades (e riscos) para todos os lados. Bom fim de semana e bons investimentos!
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.