Quinta-feira de altos e baixos no mundo das commodities. Enquanto o petróleo brasileiro comemora um volume de exportação que não se via há quase três anos, metais preciosos como prata e ouro sentiram o peso de um cenário internacional mais ameno, com o alívio das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã.

Petróleo brasileiro em alta: Pré-sal impulsiona exportações

A notícia do dia vem do setor de petróleo. As exportações brasileiras da commodity registraram um salto de 13,3% em janeiro em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo o maior volume mensal em quase três anos. Os números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o país exportou 10,57 milhões de toneladas no primeiro mês do ano. Só perde para março de 2023, quando o volume chegou a 11 milhões de toneladas.

O principal motor desse crescimento é a entrada em operação de quatro novas plataformas em importantes campos do pré-sal ao longo de 2025. Mais petróleo sendo extraído, mais petróleo para ser vendido lá fora. Uma ótima notícia para as contas do país, certo? Nem tanto. Apesar do aumento no volume, a receita com as exportações caiu 7,8% em relação a janeiro de 2025, ficando em US$ 4,3 bilhões. A explicação é simples: o preço do petróleo no mercado internacional está mais baixo. Em janeiro, o Brasil vendeu o petróleo a US$ 407,4 por tonelada, uma queda de 18,6% em relação ao ano anterior.

Ainda assim, o saldo é positivo. O Brasil segue firme como um importante player no mercado global de petróleo, e a expansão das empresas que atuam no pré-sal é fundamental para manter o ritmo de crescimento. Inclusive, vale lembrar dos investimentos da WEG (WEGE3) em baterias para plataformas, o que pode ser um diferencial competitivo importante no futuro.

Prata derrete: Alívio geopolítico e dólar forte pesam sobre metais preciosos

Do outro lado do mundo das commodities, a prata não teve um dia bom. Pelo contrário, a commodity sofreu um tombo de mais de 9%, liderando uma onda de liquidação generalizada no mercado. O ouro também sentiu o baque, fechando em queda, embora mais amena.

O que explica essa queda? Uma combinação de fatores. Primeiro, o alívio das tensões entre Estados Unidos e Irã, com a retomada das negociações bilaterais, diminuiu a busca por ativos considerados “porto seguro”, como ouro e prata. Em momentos de incerteza, investidores costumam correr para esses ativos, impulsionando seus preços. Com a perspectiva de um cenário mais estável, a demanda arrefece.

Além disso, a valorização do dólar também contribuiu para a queda dos metais preciosos. Um dólar mais forte torna as commodities – que são cotadas na moeda americana – mais caras para investidores de outros países, diminuindo a demanda. Isso porque a conversão para moedas locais, como o real, resulta em um custo final maior.

“O sentimento se tornou negativo na maioria das classes de ativos…, com as perdas se retroalimentando e criando um ciclo de feedback que se reforça em meio à baixa liquidez do mercado”, disse Christopher Wong, estrategista do OCBC. Ou seja, o mercado entrou em uma espiral negativa, com as quedas alimentando novas quedas.

E agora? O que esperar do mercado de commodities?

A volatilidade deve continuar sendo a tônica do mercado de commodities nos próximos dias. O cenário internacional segue incerto, com a economia global ainda se recuperando dos impactos da pandemia e com a geopolítica sempre à espreita. A reunião entre Estados Unidos e Irã, amanhã, será um evento importante para monitorar. Qualquer sinal de avanço nas negociações pode pressionar ainda mais os preços dos metais preciosos. Por outro lado, um novo impasse pode reacender a busca por segurança e impulsionar os preços.

Para quem investe em commodities, a palavra de ordem é cautela. Diversificação é fundamental para proteger a carteira em momentos de turbulência. E, claro, acompanhar de perto as notícias e análises do mercado para tomar decisões mais informadas. Afinal, no mundo dos investimentos, informação é poder. Assim como diversificar a carteira, pode ser interessante a expansão de empresas brasileiras em outros ramos como o Mercado Pago que vem se destacando na Argentina, ou a entrada do Spotify no ramo de livros, tudo para se manter relevante.

Lembre-se: este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. A decisão final é sempre sua. E, se precisar de ajuda, procure um profissional qualificado.