A sexta-feira amanhece com um ingrediente extra de tensão no ar: o petróleo Brent fechou acima de US$ 100 o barril, impulsionado pelo agravamento da crise envolvendo o Irã. E o que acontece lá do outro lado do mundo respinga, e muito, por aqui. Prepare-se para um dia de atenção redobrada no mercado brasileiro.

O barril de pólvora geopolítico

O gatilho para essa alta expressiva foi a intensificação das tensões no Oriente Médio. A situação é tão delicada que a Agência Internacional de Energia (AIE) já fala na “maior interrupção de oferta na história do mercado global de petróleo”. Para quem investe, o sinal é claro: volatilidade à vista.

Segundo o Money Times, o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, elevou ainda mais a temperatura ao declarar que os Estados Unidos devem fechar todas as suas bases na região. O Estreito de Ormuz, ponto nevrálgico para o escoamento de petróleo, está no centro das preocupações. Se o Irã fechar o estreito, como tem ameaçado, o impacto no fornecimento global seria imediato e brutal.

Inflação no radar e juros sob pressão

Petróleo mais caro significa, invariavelmente, pressão sobre a inflação. E, no Brasil, a inflação já vinha dando sinais de que não pretende ceder tão facilmente. O IPCA de fevereiro, divulgado recentemente, veio acima do esperado, acendendo um alerta no Banco Central.

Com esse cenário, os juros futuros já dispararam, refletindo uma menor expectativa de cortes na Selic nas próximas reuniões do Copom. Aquele alívio que muitos esperavam na renda fixa pode demorar um pouco mais para chegar.

O que esperar dos juros futuros?

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam em forte alta, com alguns vencimentos saltando mais de 30 pontos-base. O mercado agora precifica um ciclo de cortes da Selic menor do que o inicialmente previsto. Ou seja, a perspectiva de juros mais altos por mais tempo volta a ganhar força.

Segundo a InfoMoney, o DI para janeiro de 2028 já está em 13,97%, com alta de 31 pontos-base. Lá na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 também subiu, marcando 13,855%.

Impacto direto na sua carteira

Para o investidor brasileiro, o cenário é complexo. De um lado, a Petrobras (PETR4) pode se beneficiar da alta do petróleo, o que pode impulsionar suas ações e dividendos. Mas, por outro lado, a inflação mais alta e os juros mais elevados podem corroer o poder de compra e impactar negativamente outros investimentos, como os de renda variável em geral.

É hora de repensar a estratégia? Talvez. A diversificação, como sempre, é a palavra-chave. Não coloque todos os seus ovos na mesma cesta, ainda mais em um momento de tanta incerteza. Avalie a possibilidade de proteger parte da sua carteira com ativos atrelados ao dólar, que tende a se valorizar em momentos de crise.

De olho no mercado internacional

A turbulência não se restringe ao Brasil. Em Wall Street, as bolsas fecharam em forte queda, com os três principais índices recuando mais de 1%. O setor financeiro foi um dos mais penalizados, com bancos como Morgan Stanley sofrendo perdas significativas.

As gigantes do petróleo, por outro lado, nadaram contra a maré. Chevron e ExxonMobil registraram ganhos, impulsionadas pela alta do petróleo. As companhias aéreas, por sua vez, amargaram perdas, já que o aumento do custo do combustível impacta diretamente suas operações.

Aguardemos a abertura do mercado brasileiro às 10h. A sexta-feira promete ser agitada e exigirá nervos de aço dos investidores. Mantenha-se informado, revise sua estratégia e prepare-se para navegar em águas turbulentas.