Sexta-feira, 10 de julho de 2026. O relógio ainda não marcou as 10h, mas o mercado já está em ebulição, ou quase. Na B3, vivemos aquele momento de expectativa pré-abertura, onde os olhares se voltam para o que aconteceu lá fora e para os dados econômicos que chegam aqui. E hoje, a sexta promete ser agitada.
Mercado de olho no IPCA: O grande destaque doméstico, sem dúvida, será a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho. As projeções apontam para uma desaceleração na inflação, algo que os investidores esperam com certa ansiedade. A leitura para o IPCA, como sabemos, é um termômetro crucial para os próximos passos da taxa Selic. Se os números vierem alinhados ou abaixo do esperado, podemos ter um certo alívio e um sinal mais claro para a condução da política monetária.
O que os Mercados Internacionais Sinalizam
Ásia em tons mistos, com tecnologia em alta: Enquanto nós aqui ainda ajustamos os ponteiros, as bolsas asiáticas já encerraram suas negociações. A Ásia apresentou um cenário misto, com o Kospi sul-coreano e o Nikkei japonês em alta, impulsionados principalmente pelas ações de tecnologia. O índice sul-coreano, por exemplo, registrou um avanço expressivo de 2,52%, com grandes empresas como a Samsung Electronics liderando os ganhos. No Japão, o SoftBank Group deu um salto de 10,7%. Essa performance no setor de tecnologia, que se beneficiou da queda dos preços do petróleo (reduzindo custos para muitas empresas), espelhou a recuperação vista em Wall Street na véspera, onde o Nasdaq também se recuperou, favorecido pela queda dos preços do petróleo.
Petróleo com respiro, mas risco no horizonte: Por falar em petróleo, os contratos futuros de Brent e WTI operam em leve queda nesta sexta, após uma semana volátil. Apesar desse recuo pontual, é importante notar que o Brent acumula uma alta de cerca de 6% na semana, e o WTI de aproximadamente 5%. Os temores de interrupções no fornecimento do Oriente Médio, em meio aos atritos entre Estados Unidos e Irã, ainda pesam sobre os preços, mesmo com sinais de que uma via diplomática pode prevalecer. Acompanhar o tráfego no Estreito de Ormuz continua sendo um ponto chave.
Expectativas para a Abertura da B3
Juros futuros cedem terreno: Na seara dos juros, a curva futura de DIs, tanto para prazos mais curtos quanto mais longos, mostrou recuos significativos nesta quinta-feira. A queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, influenciada justamente pelas incertezas no Oriente Médio, serviu de gatilho para esse movimento aqui. Essa retração nos juros futuros pode ser um indicativo de que, para o investidor local, o cenário externo está trazendo um certo otimismo, permitindo uma leve melhora no apetite por risco.
Acompanhamos esse movimento de busca por alívio em juros desde o final do ano passado, com o Banco Central sinalizando um caminho mais claro para a política monetária. No entanto, o cenário geopolítico, como o que vimos se desenrolar no Oriente Médio, é um fator que pode trazer volatilidade inesperada a qualquer momento. É como um mar calmo que de repente é atingido por uma tempestade. Quem acompanha o mercado sabe que a calma pode ser um prenúncio de novas movimentações.
Dólar em queda antes do pregão: Os contratos futuros do dólar operam em queda nesta pré-abertura, o que é mais uma peça no quebra-cabeça de hoje. Essa desvalorização da moeda americana, aliada a um IPCA que tende a vir mais brando, pode dar um fôlego extra para o nosso mercado acionário logo mais. Na minha leitura, a combinação de um cenário externo que alivia a pressão sobre commodities e a expectativa de dados de inflação mais comportados internamente criam um ambiente favorável para um início de pregão positivo na B3.
O que o investidor brasileiro deve ficar atento: Para o seu bolso, essa prévia sugere um dia para observar de perto. Se o dólar seguir em baixa e o IPCA vier como esperado, a bolsa pode ter espaço para respirar e até mesmo buscar um desempenho positivo. Para quem busca renda fixa, a tendência de queda nos juros futuros pode ser uma janela para aproveitar taxas mais atrativas em alguns prazos antes que o mercado precifique completamente essa movimentação. No entanto, a volatilidade nos mercados globais é uma constante, e qualquer novidade sobre o conflito no Oriente Médio ou dados econômicos importantes em outras praças pode mudar o rumo rapidamente.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.