Bom dia, investidores! Quarta-feira, 15 de julho de 2026, e o mercado brasileiro respira o ar do pré-mercado, ainda que a B3 só abra suas portas oficialmente em uma hora. O cenário internacional, como sempre, dita o ritmo, e os holofotes hoje se voltam para os Estados Unidos e a recente divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI).

Ontem, a leitura da inflação ao consumidor (CPI) nos EUA já deu um respiro, mostrando uma deflação de 0,4% em junho, a maior queda mensal desde abril de 2020. Esse movimento, como esperado, jogou um balde de água fria nas apostas de que o Federal Reserve (Fed) estaria inclinado a aumentar os juros em setembro. Na minha leitura, o BC americano quer sinais robustos de arrefecimento para considerar qualquer mudança de rota, e o CPI foi um passo nessa direção. Agora, o PPI entra em cena para confirmar essa tendência.

O Que os Números Americanos Sinalizam

O Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos EUA, divulgado às 9h30, é a próxima peça do quebra-cabeça. Com o CPI já mostrando essa deflação, a expectativa é que o PPI também venha com números mais comportados. Em maio, o índice havia surpreendido, com alta de 0,4% na comparação mensal e 6,5% em 12 meses. Qualquer leitura abaixo disso, especialmente na base anual, pode reforçar a narrativa de que a pressão inflacionária nos EUA está sob controle, ou pelo menos, em desaceleração mais clara. Isso é música para os ouvidos dos mercados globais.

Os mercados europeus, por exemplo, já mostraram uma reação. A produção industrial da zona do euro e o crescimento do setor de serviços por lá também entram no radar hoje, mas a força do sinal americano tende a dominar. Na Ásia, os mercados fecharam com uma leve queda, refletindo um certo ceticismo prévio, mas os dados de Wall Street de ontem já deram um gás positivo.

Como Wall Street Reagiu e o Reflexo em Nossos Futuros

O fechamento de ontem em Wall Street foi, em geral, positivo. O S&P 500 subiu 0,38% e o Nasdaq avançou 0,90%, impulsionados justamente pela expectativa de que a inflação mais fraca nos EUA possa significar menos pressão por aperto monetário por parte do Fed. Já o Dow Jones teve um avanço modesto de 0,02%. A grande exceção foi a IBM, que despencou mais de 25% com a divulgação de prévias de balanço e preocupações com investimentos em inteligência artificial. Um lembrete de que, mesmo em um cenário positivo, empresas específicas podem enfrentar seus próprios percalços.

Por aqui, os futuros do Ibovespa e do EWZ (o ETF que replica o Ibovespa em dólar) operam com leve variação no pré-mercado, o que é típico antes da abertura. A ADR da Vale também mostra uma leve queda. O mercado de juros futuros (DIs), por outro lado, já mostrou uma reação mais contundente ontem. As taxas caíram forte, com os DIs de médio e longo prazo devolvendo parte dos ganhos da véspera, após a deflação americana e a queda nos rendimentos dos Treasuries. Isso indica que o investidor já está precificando um cenário de juros menos elevados no longo prazo, tanto nos EUA quanto, por extensão, aqui no Brasil.

O Que Esperar da B3 Hoje

Com os juros futuros em queda e um sinal de alívio vindo dos EUA, a expectativa é que a B3 abra em território positivo. A produção industrial da zona do euro e os dados de atividade no Brasil serão acompanhados de perto, mas o principal driver, na minha opinião, será a confirmação dessa tendência de desaceleração inflacionária americana. Se o PPI vier em linha ou abaixo das expectativas, podemos ter um dia animador para a bolsa, com o Ibovespa testando patamares mais altos.

É um cenário que favorece ativos de risco, o que pode ser um bom sinal para quem busca reajustar a carteira. Lembro de 2020, quando uma surpresa positiva na inflação americana deu um fôlego enorme para os mercados globais. A dinâmica é parecida: dados de inflação controlada abrem espaço para que os bancos centrais respirem e os investidores voltem a olhar para o crescimento.

O dólar, que fechou ontem em queda a R$ 5,0778, pode continuar em trajetória de baixa se a percepção de risco diminuir e o fluxo para mercados emergentes aumentar. A divulgação do Livro Bege do Federal Reserve, ainda hoje, também trará nuances sobre a atividade econômica americana, mas o foco principal deve permanecer nos números de preços.

Para o investidor brasileiro, o cenário de inflação controlada nos EUA e a possível trégua nos juros globais abrem um leque interessante. A atenção se volta agora para a nossa política monetária doméstica. O Banco Central já sinalizou em outras ocasiões que a inflação é o fator chave. Na minha leitura, um cenário global mais benigno pode dar ao BC uma margem de manobra um pouco maior, mas a decisão final dependerá, como sempre, dos nossos próprios indicadores.

Em suma, o dia promete ser de acompanhamento atento, com o mercado brasileiro surfando a onda das boas notícias vindas do exterior. A cautela pré-abertura é natural, mas os sinais indicam um otimismo contido para a sessão de hoje.