Se você acompanha o mercado, deve ter notado que hoje foi um dia de contrastes na B3. Enquanto algumas empresas brilharam, outras sentiram o peso da realização de lucros. Vamos destrinchar os principais acontecimentos para entender o que mexeu com o humor dos investidores nesta quarta-feira.
Raízen (RAIZ4) volta a respirar
A Raízen (RAIZ4) foi o grande destaque positivo do dia, com suas ações disparando e voltando a ser cotadas acima de R$ 1. Para quem acompanha a empresa, essa é uma notícia e tanto, já que os papéis estavam abaixo desse patamar desde outubro do ano passado, próximos de se tornarem penny stocks, o que representaria um risco ainda maior para os investidores.
O que impulsionou essa recuperação? Basicamente, dois fatores: a queda dos juros futuros e a expectativa de um aumento de capital. A Raízen, como muitas empresas do setor, possui um alto nível de endividamento. Juros mais baixos no futuro aliviam essa pressão, dando um respiro para as finanças da companhia.
Além disso, o mercado repercutiu positivamente as notícias sobre a estruturação de um possível aumento de capital entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão. Nicolas Gass, head de alocação de investimentos da GT Capital, comentou que o mercado já esperava essa reestruturação para aliviar o alto nível de alavancagem da empresa.
Vale lembrar que a situação da Raízen não é das mais fáceis. A dívida líquida da empresa é alta, e o ciclo de juros elevados só piorou a situação. Esse movimento de alta, portanto, pode ser visto como um sinal de otimismo do mercado em relação aos planos da companhia para reorganizar suas finanças e voltar a trilhar um caminho de crescimento.
Embraer (EMBJ3) sobe no início, mas fecha em queda
A Embraer (EMBJ3) divulgou um backlog (carteira de pedidos firmes ainda não entregues) recorde de US$ 31,6 bilhões no quarto trimestre de 2025. As entregas também foram expressivas, totalizando 91 aeronaves no período. Os números, a princípio, animaram os investidores, e as ações chegaram a abrir em alta. No entanto, o que aconteceu depois?
A resposta é simples: realização de lucros. Após um forte rali nos últimos meses, muitos investidores aproveitaram os bons resultados para embolsar parte dos ganhos, o que acabou derrubando as ações da Embraer. Ao final do pregão, os papéis da empresa fecharam com queda de 3,53%, figurando entre as maiores baixas do Ibovespa.
Apesar da queda de hoje, a perspectiva para a Embraer continua positiva. A XP Investimentos, por exemplo, avalia que a empresa apresentou resultados operacionais sólidos no quarto trimestre de 2025 e que está no caminho certo para fechar o ano fiscal acima da meta de lucratividade.
Vale (VALE3) e o apetite estrangeiro
Enquanto isso, a Vale (VALE3) segue sua trajetória, impulsionada principalmente pelo apetite dos investidores estrangeiros. Segundo o BTG Pactual, os investidores locais estão “sublocados” na compra de Vale, enquanto os gringos aproveitam o rali da ação. Só em janeiro, os investidores globais compraram o equivalente a R$ 15,8 bilhões em ações locais, o maior fluxo comprador em um mês no último ano.
O que explica essa diferença de percepção? Para muitos investidores brasileiros, o valuation da Vale ainda é um ponto de discussão. O BTG destaca que boa parte deles desconsidera os argumentos que comparam a VALE3 com as mineradoras australianas.
É aquela velha história: enquanto uns veem oportunidade, outros enxergam risco. No mercado financeiro, essa divergência de opiniões é o que move o jogo. Cabe a cada investidor analisar os dados, ponderar os riscos e decidir qual a melhor estratégia para o seu portfólio.
No fim das contas, o pregão de hoje serviu para mostrar que o mercado é dinâmico e cheio de surpresas. Uma hora a onda está a favor, na outra, a onda quebra e leva tudo com ela. Por isso, a importância de diversificar os investimentos e manter a calma, mesmo em momentos de turbulência.
E lembre-se: as informações apresentadas aqui são apenas um panorama do mercado. A decisão final de investir ou não em determinada empresa é sempre sua. 😉
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.