A semana começou com o pé esquerdo para alguns investidores na B3. Enquanto o Ibovespa tentava se equilibrar, algumas empresas específicas chamaram a atenção, seja pelo desempenho negativo, seja pelas perspectivas futuras. Vamos ao resumo do que movimentou o mercado nesta segunda-feira.

Raízen: Do Céu ao Inferno em Poucos Dias

Depois de um janeiro promissor, com alta de 27%, as ações da Raízen (RAIZ4) parecem ter entrado em parafuso. Nesta segunda-feira, a empresa registrou a maior queda do Ibovespa, com seus papéis derretendo. Pra se ter uma ideia, a ação chegou a ficar abaixo de R$1, nível que não agradou nem um pouco os investidores. A companhia, que já flertou com a máxima em quatro meses na semana passada, agora enfrenta uma forte correção negativa.

A situação da Raízen não é exatamente um mar de rosas. A empresa tem lidado com um endividamento elevado, o que, naturalmente, gera expectativas (e ansiedade) no mercado sobre uma possível injeção de capital. Os resultados trimestrais também não ajudaram: a moagem de cana-de-açúcar no terceiro trimestre do ano safra 2025/2026 caiu 23% em relação ao mesmo período do ano anterior, e a produção de açúcar equivalente recuou quase 17%.

E para completar a novela, a Femsa, grupo mexicano, anunciou que assumiu o controle integral da rede de minimercados Oxxo no Brasil, concluindo a separação da joint venture que mantinha com a Raízen. Ou seja, menos um negócio para a companhia se preocupar (ou lucrar, dependendo do ponto de vista).

Sabesp e o Dilema da Água

A Sabesp (SBSP3), por sua vez, voltou ao centro do debate por conta de um fator que preocupa cada vez mais: a falta de água. Com chuvas abaixo da média e níveis reduzidos nos reservatórios, a segurança do abastecimento em São Paulo virou tema de discussão entre analistas e investidores. E claro, isso impacta diretamente nas ações da companhia, que acumulam alta superior a 50% nos últimos 12 meses.

O Banco Safra, por exemplo, adotou um tom mais cauteloso com o papel, citando a hidrologia desfavorável e o risco de medidas adicionais para garantir o abastecimento de água. A instituição rebaixou a recomendação da ação de compra para neutra, mas elevou o preço-alvo de R$ 144,10 para R$ 146. Já o Bradesco BBI tem uma visão mais otimista, avaliando que a situação dos reservatórios ainda não configura um cenário crítico e que o potencial de crescimento dos lucros com a universalização do saneamento em São Paulo até 2029 sustenta uma visão construtiva sobre a companhia.

Moral da história: a Sabesp está à mercê do clima. Se chover, as ações sobem. Se a seca persistir, a tendência é de baixa. Resta saber se os investidores estão dispostos a apostar no São Pedro.

Eneva Aposta no Leilão de Energia

Enquanto algumas empresas sofrem, outras aproveitam as oportunidades. É o caso da Eneva (ENEV3), que está de olho no leilão de reserva de capacidade (LRCAP) voltado para usinas termelétricas e hidrelétricas que reforçarão a segurança do fornecimento de energia no país. O leilão está previsto para março e o Itaú BBA reiterou sua recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado) para a empresa, com preço-alvo de R$ 23,80.

O BBA vê a Eneva bem posicionada para o leilão, principalmente após as recentes mudanças no setor de energia, como a redução nas tarifas de transporte para agentes que assinarem contratos firmes de capacidade de extração com prazo de, pelo menos, 10 anos. Na visão do banco, este desconto destaca o peso que os custos de transporte impõem à competitividade dos agentes durante o processo de licitação.

Bônus de Catástrofe: Uma Opção Curiosa no Mercado

E por falar em clima, existe um tipo de investimento que pode parecer estranho à primeira vista: os chamados “bônus de catástrofe” (cat bonds). Esses títulos são emitidos por seguradoras e resseguradoras e pagam juros elevados em troca de proteção contra eventos climáticos extremos, como furacões, terremotos e secas. A lógica é simples: se o evento ocorrer e causar prejuízos acima de um determinado limite, o investidor perde parte ou todo o capital investido. Caso contrário, recebe os juros normalmente.

Apesar do risco aparente, os cat bonds têm se mostrado uma opção interessante para investidores que buscam alta rentabilidade e baixa volatilidade, já que sua correlação com outros ativos do mercado é baixa. É como apostar contra a ocorrência de um desastre natural: você recebe juros altos, mas perde o capital se o desastre acontecer.

Enfim, o mercado financeiro é um universo de possibilidades, algumas mais óbvias, outras nem tanto. O importante é estar sempre atento às oportunidades e aos riscos, e tomar decisões de investimento com base em informações sólidas e em seus próprios objetivos.