Quarta-feira de termômetros variados na B3 e em Wall Street. Enquanto o Ibovespa ficou praticamente estável, algumas empresas protagonizaram movimentos dignos de nota, com destaque para a Raízen, que voltou a valer R$ 1 após um longo período, e o Nubank, que atingiu sua máxima histórica em Nova York. Mas nem tudo foram flores: a Vale viu o preço do minério de ferro seguir um rumo diferente de suas ações.

Raízen decola e volta a valer R$ 1

As ações da Raízen (RAIZ4) dispararam e voltaram a ser negociadas acima de R$ 1, algo que não acontecia desde outubro de 2025. O papel chegou a subir mais de 16% durante o pregão. Segundo a InfoMoney, a alta foi impulsionada pela queda dos juros futuros – um alívio para empresas endividadas como a Raízen – e por rumores sobre um possível aumento de capital bilionário.

Para quem não acompanha de perto, a Raízen é um gigante do setor de agronegócio, com forte atuação em etanol, açúcar e combustíveis. A empresa tem um modelo de negócios que exige investimentos constantes, o que a levou a aumentar o endividamento. Com a Selic nas alturas nos últimos anos, o custo desse endividamento também subiu, pressionando as margens da companhia. Daí o otimismo do mercado com a perspectiva de juros mais baixos e capital novo.

Nubank nas alturas em Nova York

Quem também teve um dia para comemorar foi o Nubank. As ações do banco digital fecharam no maior patamar desde a estreia na Bolsa de Nova York (Nyse), impulsionando também os BDRs (ROXO34) negociados aqui no Brasil. Com a valorização, o Nubank se aproxima de um valor de mercado de US$ 90 bilhões, ultrapassando gigantes tradicionais do setor financeiro, como o Deutsche Bank.

O Nubank tem se mostrado resiliente, entregando resultados consistentes e mantendo um ritmo acelerado de crescimento da base de clientes. A receita é simples: focar em um público que, historicamente, foi mal atendido pelos grandes bancos e oferecer serviços mais simples e transparentes. E, pelo visto, a estratégia tem dado certo.

Vale e minério: cada um para um lado

A Vale (VALE3), por sua vez, viveu um dia de calmaria, mas com um sinal de alerta. As ações da mineradora brasileira têm subido, enquanto o preço do minério de ferro, sua principal commodity, tem se mantido estagnado na casa dos US$ 100 por tonelada. Essa “descolamento” entre os dois indicadores tem chamado a atenção do mercado.

Segundo a Exame Invest, um dos motivos para essa divergência é o projeto Simandou, na Guiné, um gigante da mineração que deve aumentar a oferta global de minério nos próximos anos. A entrada desse novo player pode pressionar os preços da commodity, o que, em tese, não seria bom para a Vale. É como se a empresa estivesse aproveitando um momento favorável, mas com a perspectiva de ventos contrários no futuro.

Moura Dubeux: Reorganização à vista

No setor de construção civil, a Moura Dubeux (MDNE3) anunciou que estuda uma reorganização societária, com o objetivo de otimizar sua estrutura administrativa e aprimorar a gestão de suas marcas. A ideia é criar uma “empresa-mãe”, chamada MDNE – Moura Dubeux Negócios de Excelência, que ficaria responsável pelas três unidades de negócio do grupo: Moura Dubeux (alto padrão), Mood (classe média) e Ún1ca (baixa renda).

A notícia animou o mercado, e as ações da construtora chegaram a subir quase 5% no início do pregão, mas perderam força ao longo do dia. De acordo com o Money Times, a reorganização societária é vista como uma forma de destravar valor para os acionistas, simplificando a estrutura da empresa e permitindo uma gestão mais focada em cada segmento de mercado. Resta saber se a estratégia se provará eficaz na prática.

Banco do Brasil no radar

Embora não tenha sido o destaque do dia, o Banco do Brasil (BBAS3) segue no radar dos investidores, especialmente após a divulgação de seus resultados trimestrais. O banco tem se beneficiado do bom momento do agronegócio, impulsionado pela alta dos preços das commodities agrícolas. No entanto, a recente crise no setor, com quebra de produtores e dificuldades de crédito, pode acender um sinal de alerta para o futuro.

E por falar em agronegócio, vale lembrar que o setor é um dos pilares da economia brasileira e, consequentemente, do mercado financeiro. As empresas ligadas ao agro, como a própria Raízen, estão sujeitas a diversos fatores, como clima, preços das commodities e políticas governamentais. Por isso, é fundamental acompanhar de perto as notícias e análises do setor antes de investir.