O ano de 2026 começou com o pé direito para o Ibovespa. Em janeiro, o índice não só renovou suas máximas históricas, como também conquistou o título de um dos mercados acionários com melhor desempenho no mundo. E o principal combustível dessa alta tem sido o apetite voraz do investidor estrangeiro por ações brasileiras.

Afinal, por que o Brasil está tão atraente?

Vários fatores se combinam para explicar esse fluxo intenso de capital externo. Para começo de conversa, o Brasil oferece uma combinação rara de juros ainda elevados (apesar dos cortes recentes da Selic) e um mercado de ações com múltiplos descontados em relação a outros países, tanto emergentes quanto desenvolvidos. É como encontrar uma casa espaçosa e bem localizada com um preço abaixo do mercado: a chance de valorização futura atrai muitos compradores.

Além disso, o cenário internacional também joga a favor. Com a economia global ainda patinando e os juros nos Estados Unidos e Europa em patamares relativamente altos, os investidores buscam alternativas mais rentáveis e com maior potencial de crescimento. E, nesse quesito, o Brasil se destaca.

“O rali global de apetite por risco está favorecendo os mercados emergentes, e o Brasil se beneficia bastante desse movimento ao oferecer múltiplos descontados, juros mais competitivos e, em certa medida, liquidez quando comparado a outros mercados da América Latina”, explicou Raphael Figueredo, estrategista de ações da XP Inc., em entrevista à InfoMoney.

Para completar, a expectativa de que o Banco Central americano (Fed) comece a cortar juros ainda este ano também contribui para o otimismo em relação a mercados emergentes, como o brasileiro. Juros menores nos EUA tendem a enfraquecer o dólar e estimular o fluxo de capital para países com maior potencial de retorno.

O impacto no seu bolso

Mas como essa onda de otimismo e o fluxo de capital estrangeiro afetam o investidor brasileiro? A resposta é: de várias formas.

Em primeiro lugar, a valorização do Ibovespa impulsionada pelos gringos beneficia diretamente quem já investe em ações. Afinal, o índice é composto pelas maiores empresas do país, e sua alta se traduz em ganhos para quem possui esses papéis na carteira.

Em segundo lugar, o fluxo de capital estrangeiro tende a valorizar o real, o que pode ter um impacto positivo na inflação (já que produtos importados ficam mais baratos) e, consequentemente, na política monetária do Banco Central. Se a inflação continuar sob controle, o BC pode ter espaço para acelerar o ritmo de cortes na Selic, o que, em tese, beneficia o mercado de ações.

Por outro lado, um real mais forte pode prejudicar as empresas exportadoras, já que seus produtos ficam mais caros e menos competitivos no mercado internacional. É uma faca de dois gumes, e o investidor precisa estar atento a esses movimentos.

Além do Ibovespa: um olhar para as PMEs

Enquanto o Ibovespa atrai os holofotes e o capital estrangeiro, um outro movimento interessante ganha força no mercado brasileiro: o surgimento de plataformas que visam facilitar o acesso de pequenas e médias empresas (PMEs) ao mercado de capitais. A BEE4, por exemplo, é uma dessas iniciativas.

Criada como uma plataforma de negociação voltada exclusivamente para PMEs, a BEE4 opera fora da B3 e permite a compra e venda de ações representadas por tokens, estruturadas por meio da tecnologia blockchain. Segundo a Exame Invest, a plataforma aposta no investidor local – hoje mais distante da B3 – para financiar pequenas e médias empresas e abrir um novo caminho de acesso ao mercado de ações no Brasil.

A ideia é que, ao investir em PMEs, o investidor brasileiro possa diversificar sua carteira e, ao mesmo tempo, impulsionar o crescimento de empresas com grande potencial de valorização. É como investir em startups, mas com a segurança e a transparência da tecnologia blockchain.

O que esperar para a próxima semana (e para o futuro)

Para a próxima semana, a expectativa é de que o mercado continue monitorando de perto os indicadores econômicos, tanto no Brasil quanto no exterior, bem como os desdobramentos da política monetária do Fed e do Banco Central. A divulgação do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) e a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) serão eventos econômicos importantes a serem observados.

No médio prazo, o futuro do Ibovespa e do mercado brasileiro como um todo dependerá de uma série de fatores, como a capacidade do governo de implementar reformas que impulsionem o crescimento econômico, o avanço das negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, e a evolução do cenário político internacional.

Uma coisa é certa: o Brasil tem potencial para continuar atraindo capital estrangeiro e se consolidar como um dos principais mercados emergentes do mundo. Mas, para isso, é preciso manter a disciplina fiscal, a estabilidade política e o compromisso com a agenda de reformas. E, claro, o investidor precisa estar atento a todos esses movimentos para tomar as melhores decisões e proteger seu patrimônio.