Se você acompanha o noticiário econômico, já deve ter percebido que o cenário para as empresas no Brasil não anda dos mais fáceis. E os números mais recentes confirmam essa percepção: a quantidade de companhias recorrendo à recuperação judicial atingiu um novo recorde em 2025.

Afinal, o que está acontecendo?

De acordo com dados da Serasa Experian, mais de 2.466 empresas entraram com pedido de recuperação judicial no ano passado. Isso significa que, a cada mês, mais de 100 empresas buscaram essa alternativa para tentar renegociar suas dívidas e evitar a falência. Para se ter uma ideia, o mês de outubro de 2025 foi particularmente crítico, com 345 empresas nessa situação.

Mas por que tantas empresas estão enfrentando dificuldades financeiras? A resposta, como quase sempre, é complexa. Mas alguns fatores se destacam:

  • Juros altos: A taxa Selic, que ainda se mantém em patamares elevados, encarece o crédito e dificulta o pagamento de dívidas. É como se as empresas estivessem correndo em uma esteira cada vez mais inclinada.
  • Crédito mais seletivo: Os bancos estão mais cautelosos na hora de emprestar dinheiro, o que dificulta o acesso ao crédito para muitas empresas, especialmente as menores.
  • Demanda desigual: Alguns setores da economia estão indo bem, enquanto outros sofrem com a falta de demanda. Essa disparidade impacta diretamente o fluxo de caixa das empresas.

É importante notar que, embora o número de empresas em recuperação judicial continue alto, o ritmo de crescimento diminuiu um pouco em 2025. Após um salto de 36,2% em 2023 e 26,4% em 2024, o aumento foi de 12,9% no ano passado. Segundo a Serasa Experian, essa desaceleração pode indicar uma normalização, mas em um patamar ainda elevado.

O que isso significa para o investidor?

Para o investidor, o aumento das recuperações judiciais serve como um sinal de alerta. Afinal, investir em empresas com dificuldades financeiras pode trazer riscos consideráveis. Se a empresa não conseguir se reestruturar, o investidor pode perder parte ou até todo o seu investimento. É como apostar em um cavalo que já está mancando na largada.

Mas, calma, nem tudo está perdido. A recuperação judicial também pode representar uma oportunidade para investidores mais experientes e com apetite a risco. Em alguns casos, empresas em recuperação judicial podem ter suas ações negociadas a preços mais baixos, o que pode gerar um bom retorno no futuro, caso a empresa se recupere e volte a crescer.

Como proteger sua carteira

Diante desse cenário, a palavra de ordem é cautela. Aqui vão algumas dicas para proteger sua carteira:

  • Diversifique seus investimentos: Não coloque todos os seus ovos na mesma cesta. Invista em diferentes setores da economia e em diferentes tipos de ativos.
  • Analise os balanços das empresas: Antes de investir em uma empresa, verifique sua saúde financeira. Analise seus balanços, suas dívidas e seu fluxo de caixa.
  • Acompanhe o noticiário econômico: Fique atento às notícias sobre as empresas em que você investe e sobre o cenário econômico em geral.
  • Consulte um profissional: Se você não se sentir seguro para tomar decisões de investimento sozinho, procure a ajuda de um profissional qualificado.

Lembre-se: investir é uma maratona, não uma corrida de 100 metros. Tenha paciência, disciplina e siga sua estratégia de investimentos. E, acima de tudo, não se deixe levar pelo medo ou pela ganância.

É importante ressaltar que este artigo não é uma recomendação de investimento. A decisão de investir ou não em uma empresa é sempre sua, e deve ser baseada em seus próprios objetivos, perfil de risco e conhecimento do mercado.