O pregão desta quinta-feira (16) já se despediu, e agora é hora de colocar a lupa sobre os resultados que começam a pipocar, sinalizando o ritmo das empresas no segundo trimestre de 2026. E já temos alguns destaques que merecem nossa atenção, especialmente no setor de construção civil e no competitivo universo dos grandes bancos.

Plano & Plano acelera vendas no 2T26

Começando pela Plano & Plano (PLPL3), a construtora anunciou hoje que suas vendas líquidas saltaram 9% no segundo trimestre, atingindo expressivos R$ 916 milhões. Foram comercializadas 3.351 unidades, um volume 8% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O preço médio de venda das unidades também deu um salto, com uma alta de 1,9%, chegando a R$ 273,5 mil.

Um ponto interessante a se notar é que a maior parte dos lançamentos ocorreu em junho, o que, segundo a própria companhia, impactou o ritmo de vendas, considerando o curto intervalo entre a apresentação dos novos empreendimentos e o fechamento do trimestre. Quem acompanha o setor sabe que esse timing pode fazer uma diferença sutil, mas significativa, nos números de curto prazo. Ainda assim, o indicador de Vendas Sobre Oferta (VSO) dos últimos 12 meses melhorou ligeiramente, subindo 0,7 ponto percentual e alcançando 51,8%. O Valor Geral de Vendas (VGV) do estoque totalizou R$ 3,828 bilhões, uma pequena queda de 1,7%. O lado menos positivo é que a empresa terminou o trimestre com um consumo de caixa operacional de R$ 87,3 milhões, algo a se observar.

XP elege Bradesco como favorito entre os bancões

Enquanto a Plano & Plano divulga seus resultados, o mercado já se antecipa aos balanços dos gigantes bancários. A temporada de resultados dos bancões se inicia em breve, com Santander Brasil (SANB11) abrindo as portas no dia 29 de julho, seguido por Itaú Unibanco (ITUB4) em 4 de agosto e Bradesco (BBDC4) em 5 de agosto. A XP Investimentos já deu seu veredito: Bradesco (BBAS3) é o grande campeão esperado.

Segundo a corretora, o Bradesco deve entregar um forte crescimento nas receitas e uma expansão nos empréstimos com garantia, mostrando boa qualidade de ativos mesmo em um cenário econômico que não anda dos mais amistosos. Para o Itaú, a expectativa é de bons números, mas sem a capacidade de surpreender. Já o Santander, para a XP, enfrentará mais obstáculos, com sinais de piora na inadimplência e uma qualidade de ativos que, na leitura da corretora, está abaixo da dos seus pares privados. O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) acima de 20%, que seria um feito notável, parece distante para o Santander neste trimestre. Além disso, será o primeiro balanço sem a presença de Mário Leão, que renunciou ao cargo de CEO, com Gilson Finkelsztain, ex-presidente da B3, assumindo o posto.

Gigantes globais no radar: Netflix e Eli Lilly

No cenário internacional, a Netflix (NFLX) também divulgou seus números. A gigante do streaming superou levemente as expectativas de lucro por ação no segundo trimestre de 2026, com um lucro líquido de US$ 3,4 bilhões (US$ 0,80 por ação). A receita também veio um pouco abaixo do esperado, totalizando US$ 12,56 bilhões, um aumento de 13% ano a ano. O que realmente pesou no pós-mercado, porém, foram as projeções futuras. A empresa prevê receita de US$ 12,86 bilhões e lucro diluído por ação de US$ 0,82 para o terceiro trimestre, números que ficaram aquém das expectativas de Wall Street (US$ 13 bilhões em vendas e US$ 0,84 de EPS). A tentativa frustrada de adquirir os ativos da Warner Bros. Discovery também continua sendo um ponto de atenção estratégica para os investidores.

Em outra frente, a Eli Lilly (LLY), conhecida por medicamentos como o Mounjaro, anunciou uma aposta ambiciosa no mercado de terapias psicodélicas. A farmacêutica adquiriu a AtaiBeckley, focada no desenvolvimento de tratamentos para transtornos de saúde mental, por um acordo que pode chegar a US$ 3,8 bilhões, incluindo pagamentos condicionais ao cumprimento de metas. Esse movimento sinaliza uma clara diversificação e um olhar para novas fronteiras terapêuticas.

Para o investidor brasileiro, esses resultados pintam um quadro interessante. A Plano & Plano mostra que, mesmo em meio a desafios, o setor de construção civil pode apresentar números positivos, especialmente em segmentos específicos. Nos bancos, a expectativa de um Bradesco se destacando pode influenciar a percepção sobre o setor financeiro como um todo. Lá fora, a Netflix nos lembra que resultados trimestrais sólidos não garantem a felicidade do mercado se as projeções futuras não empolgarem. Já a Eli Lilly aponta para um movimento de inovação e alto investimento em áreas emergentes, algo que pode gerar oportunidades de longo prazo, mas com riscos elevados.

É sempre bom lembrar que o mercado financeiro é um organismo vivo, e esses resultados são apenas um pedaço do quebra-cabeça. Acompanhar os próximos balanços e as movimentações macroeconômicas continuará sendo fundamental para navegar neste cenário.