Segunda-feira de Carnaval, mas o mercado financeiro não tirou folga! O Ibovespa até tentou ensaiar um samba, chegando a flertar com os 191 mil pontos, impulsionado pela Petrobras (PETR4). Mas a pressão dos bancos acabou pesando e o índice perdeu fôlego. E, claro, tivemos histórias individuais de empresas que merecem atenção.
Riachuelo: Follow-on à Vista
Começando com a Riachuelo (RIAA3), as ações da varejista sentiram o baque do anúncio de um follow-on (oferta subsequente de ações) de até R$ 500 milhões. Os papéis fecharam em queda, refletindo a diluição que a operação trará aos acionistas existentes. É como se a empresa estivesse emitindo mais “cupons” de participação nos lucros, diminuindo o valor de cada um. A empresa pretende usar o dinheiro para expandir sua rede de lojas e aumentar a liquidez dos papéis.
Segundo o JPMorgan, que manteve a recomendação de compra para as ações da Riachuelo, a operação deve elevar o free float (percentual de ações em circulação no mercado) para algo entre 22% e 24%. Um free float maior geralmente atrai mais investidores, especialmente os institucionais. A expectativa do banco é de um preço médio de R$ 10,50 por ação no follow-on.
Desktop: Negociação Frustrada Derruba Ações
Quem não teve nada para comemorar foi a Desktop (DESK3). As ações da provedora de internet despencaram mais de 10% após a notícia de que as negociações para uma possível venda para a Claro esfriaram. Aparentemente, as empresas não chegaram a um acordo sobre o preço e outros termos contratuais. Para o mercado, é como se um pretendente desistisse do casamento na porta da igreja.
A Desktop, que já havia passado por negociações com a Telefonica Brasil em 2024, viu seu valor de mercado ser estimado em R$ 1,84 bilhão. Uma fonte chegou a comentar à Reuters que o negócio poderia avaliar a empresa em mais de R$ 2 bilhões. Mas, sem acordo, a incerteza voltou a pairar sobre o futuro da companhia.
Smart Fit: Pátria Zera Posição
Outra movimentação relevante no pregão foi a venda de uma fatia considerável da Smart Fit (SMFT3) pelo Pátria Investimentos. A gestora, que era acionista da rede de academias há cerca de 15 anos, decidiu zerar sua posição, vendendo um bloco de 42,4 milhões de ações em um leilão na bolsa. Para o Pátria, é como se tivessem completado um ciclo de investimento e agora estivessem buscando novas oportunidades.
A operação, estruturada pelo Bank of America, movimentou cerca de R$ 900 milhões. O preço por ação no block trade foi de R$ 20,95, um desconto de 2,33% em relação ao fechamento da última sexta-feira (20). Essa estratégia é comum em vendas desse tipo para atrair compradores e garantir a liquidez da operação.
Petrobras em alta
No lado positivo, a Petrobras (PETR4) surfou na onda da alta do petróleo Brent no mercado internacional e impulsionou o Ibovespa, pelo menos durante parte do dia. As ações preferenciais da petroleira subiram 2,29%, enquanto as ordinárias avançaram 2,71%. Se o petróleo continua nessa toada, podemos ver a estatal continuar embalada.
Dólar e o Cenário Macroeconômico
Enquanto isso, o câmbio segue no radar dos investidores, com o real buscando se equilibrar diante das turbulências externas. A política comercial dos Estados Unidos, com o anúncio de novas tarifas pelo presidente Donald Trump, adiciona mais volatilidade ao mercado financeiro global. Afinal, um dólar mais forte ou mais fraco impacta diretamente as empresas brasileiras, especialmente as exportadoras e importadoras.
Bancos Pressionam
Por fim, vale destacar a pressão vinda dos bancos. Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11) fecharam em queda, puxando o Ibovespa para baixo. A única exceção foi o Banco do Brasil, que registrou leve alta. O setor bancário, que tem um peso significativo no índice, precisa de um respiro para que o Ibovespa consiga romper a barreira dos 190 mil pontos de forma consistente. Afinal, como dizem, para subir, é preciso ter base forte.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.