O mercado financeiro está sempre em movimento, e julho não é exceção. Duas casas de análise, Santander e Planner, anunciaram suas carteiras recomendadas para o mês, trazendo novidades e ajustando as posições. A Sabesp (SBSP3), gigante do setor de saneamento, foi a estrela da vez, ganhando espaço na lista do Santander.

O Santander decidiu retirar a RD Saúde (RADL3) para dar lugar à Sabesp (SBSP3). Embora os analistas do banco mantenham uma visão positiva de longo prazo para a RD Saúde, eles observam que, no curto prazo, o varejo brasileiro pode apresentar um comportamento mais conservador. Já a Sabesp foi escolhida por sua trajetória de crescimento e pela expectativa de ganhos de eficiência e redução do "gap" de receita. Projetam um Ebitda para a empresa de R$ 15,419 bilhões em 2026, um avanço de 24,2% na comparação anual. Para se ter uma ideia, apenas no dia de hoje, as ações da Sabesp já operam em alta de 0,71%, acumulando um retorno de 9,42% neste mês de julho.

A Planner, por sua vez, promoveu três trocas em sua carteira. A casa encerrou junho com uma valorização de 1,64%, superando o Ibovespa no período. As saídas foram de BB Seguridade (BBSE3), Itaú Unibanco (ITUB4) e Totvs (TOTS3). Para seus lugares, entram Bradesco (BBDC4), BradSaúde (SAUD3) e Cogna (COGN3). Segundo a Planner, as mudanças visam tanto a realização de lucros em papéis que tiveram bom desempenho quanto a busca por oportunidades em ações que sofreram quedas recentes e apresentam potencial de recuperação.

As saídas de BB Seguridade e Itaú Unibanco foram motivadas, segundo a casa, pela realização de lucros acumulados. Já a Totvs deixou o portfólio após um desempenho mais fraco em junho. Na minha leitura, a entrada da Cogna chama a atenção. A empresa acumulou uma queda de 10% em junho e de 28,4% no ano. Para a Planner, esse movimento abriu espaço para uma potencial recuperação, com o apoio de melhorias operacionais. Apostar em empresas que passaram por um período de baixa, mas que mostram sinais de melhora fundamental, é uma estratégia que tem se mostrado eficaz em outras ocasiões, como visto em 2022 com a recuperação de empresas de commodities após correções. Quem acompanha o mercado de perto já viu esse padrão se repetir.

O cenário geral do mercado não tem sido de euforia. Junho, por exemplo, foi um mês de "zero a zero" para o Ibovespa, que pouco variou. Apesar disso, o setor de seguradoras se destacou, com Caixa Seguridade (CXSE3), BB Seguridade (BBSE3) e Porto (PSSA3) apresentando altas superiores a 10% no período. Isso demonstra que, mesmo em um mercado lateralizado, existem nichos e empresas com desempenho superior.

Para o segundo semestre, o cenário permanece desafiador. A reversão das expectativas de queda de juros, o aumento das preocupações com a inflação e os efeitos da guerra global têm pesado sobre a Bolsa brasileira. O Ibovespa chegou perto dos 200 mil pontos, mas devolveu parte significativa dos ganhos. A análise de oportunidades em um cenário onde as ações estão com preços considerados baixos em relação ao seu valor fundamental ('bolsa barata') é o foco de muitos investidores e analistas neste momento, e as carteiras recomendadas refletem essa busca.