A temporada de balanços dos bancões está quase começando, e o Santander Brasil (SANB11) sai na frente: os números do quarto trimestre de 2025 serão divulgados já na próxima quarta-feira (4), antes da abertura do mercado. Mas, além do balanço em si, o que realmente chama a atenção agora é um possível movimento estratégico do controlador, o Santander espanhol: fechar o capital da operação brasileira.

Balanço do 4T25: o que esperar?

Antes de entrarmos nas especulações sobre o futuro do Santander Brasil, vamos ao que é concreto: o balanço. As expectativas giram em torno de um bom controle de custos, o que pode ser uma surpresa positiva. O JPMorgan, por exemplo, estima um lucro de R$ 17,3 bilhões para o banco em 2026. Já as estimativas compiladas pela LSEG apontam para um lucro líquido recorrente de R$ 4,033 bilhões no quarto trimestre.

O Bradesco BBI espera que o Santander Brasil apresente um desempenho de receita semelhante ao trimestre anterior. A receita de tesouraria deve continuar pressionada, mas a margem com clientes deve ter um crescimento, acompanhado por um aumento de 3% na carteira de empréstimos. Em relação à qualidade dos ativos, o banco deve apresentar tendências estáveis, com as provisões crescendo em linha com a carteira. As tarifas e despesas operacionais devem ser sazonalmente mais altas.

Vale lembrar que os resultados dos bancos são sempre um termômetro da economia. Se o Santander apresentar números robustos, é um sinal de que a engrenagem do crédito está girando e que as empresas e famílias estão tomando mais empréstimos. Se os números vierem fracos, pode ser um sinal de alerta.

O boato que agita o mercado: fechamento de capital?

Agora, a cereja do bolo: o Citi levantou a possibilidade de o Santander espanhol recomprar a fatia de cerca de 10% das ações do Santander Brasil que ainda estão nas mãos de minoritários. Isso, na prática, significaria fechar o capital da empresa na B3. O banco argumenta que essa seria uma forma de simplificar a estrutura do grupo e que os múltiplos de negociação do Santander Brasil não refletem o potencial da empresa.

Ainda de acordo com o Citi, essa possibilidade pode ser anunciada já no Investor Day do Santander, no próximo dia 25. Mas calma: o próprio banco ressalta que essa não é a sua projeção base. Ou seja, é apenas uma possibilidade, não uma certeza. Mas, é importante acompanhar de perto para ver se essa história ganha força.

Por que isso faria sentido?

Existem alguns motivos que poderiam levar o Santander a fechar o capital da sua operação brasileira. O primeiro é o valuation. Se o banco acredita que suas ações estão baratas, faz sentido recomprá-las. É como comprar um imóvel que você sabe que vale mais do que o preço que estão pedindo, embora a recompra de ações envolva outros fatores além da simples diferença de preço.

Outro motivo é a simplificação da estrutura. Manter uma empresa listada na bolsa exige uma série de custos e burocracias. Ao fechar o capital, o Santander eliminaria esses custos e teria mais flexibilidade para tomar decisões. É como se livrar de um monte de papelada desnecessária.

E, claro, há a questão da estratégia. O Santander pode ter planos ambiciosos para o Brasil e acreditar que é melhor executá-los sem a pressão do mercado de capitais. Pense numa empresa que quer investir pesado em inovação, mas teme que o mercado reaja mal aos resultados de curto prazo. Fechar o capital pode dar a ela a liberdade de experimentar sem ter que dar satisfação a cada trimestre.

E o Copom e a Selic entram nessa história?

A política monetária do Banco Central, claro, tem um peso considerável nas decisões do Santander e no desempenho do setor financeiro como um todo. As decisões do Copom sobre a Selic, a taxa básica de juros, impactam diretamente a rentabilidade dos bancos, o custo do crédito e, consequentemente, o apetite dos investidores por ações do setor.

Se o Copom sinalizar um ciclo de afrouxamento monetário mais agressivo, com cortes mais acentuados na Selic, isso pode impulsionar o mercado de crédito e beneficiar os bancos. Por outro lado, se o Banco Central optar por uma postura mais conservadora, com cortes menores ou até mesmo uma pausa no ciclo de queda, isso pode gerar um impacto negativo nas perspectivas do setor.

Haddad no radar

As políticas do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também influenciam no mercado. O mercado financeiro está de olho nas medidas que o governo tem tomado para tentar reequilibrar as contas públicas. Se o governo conseguir mostrar compromisso com a responsabilidade fiscal, isso pode gerar um clima de maior confiança e atrair investimentos para o país, beneficiando todos os setores da economia, inclusive o financeiro.

E agora, investidor?

Diante desse cenário, o que o investidor deve fazer? A resposta, como sempre, depende do seu perfil e dos seus objetivos. Mas, de forma geral, é importante acompanhar de perto os resultados do Santander e as notícias sobre um possível fechamento de capital. Se você já tem ações do banco, avalie se faz sentido mantê-las ou vendê-las. Se você ainda não tem, pode ser uma oportunidade de entrar no negócio, mas com cautela e sempreDiversificar é não colocar todos os ovos na mesma cesta..