A manutenção da Selic em 15% ao ano na última reunião do Copom não surpreendeu o mercado. Era o esperado. Mas, como um bom suspense, a decisão deixou no ar a pergunta que não quer calar: quando, afinal, o Banco Central vai começar a afrouxar a política monetária e reduzir os juros?
A resposta, como sempre, não é simples. Mas, para alegria dos investidores (e alívio de quem está pagando caro no financiamento), alguns sinais apontam para a possibilidade de um corte já na próxima reunião, marcada para 18 de março.
Por que a aposta em março?
A Empiricus, por exemplo, em relatório assinado pela analista de renda fixa Lais Costa, aponta cinco fatores que sustentam essa expectativa. O principal deles é o mercado de trabalho, que, apesar de ainda mostrar resiliência, dá sinais de arrefecimento. A taxa de desemprego, por exemplo, atingiu o menor nível da série histórica, mas os salários, embora ainda aquecidos, podem estar perdendo fôlego.
É como se o motor da economia estivesse começando a dar sinais de cansaço depois de tanto acelerar. E, nesse cenário, o Banco Central, que tem a missão de controlar a inflação sem frear demais o crescimento, precisa calibrar muito bem a mão.
Inflação ainda no radar
A inflação, claro, continua sendo o principal fantasma a assombrar o Copom. Apesar de já ter dado sinais de arrefecimento, ainda paira acima da meta. E o Banco Central não quer repetir o erro de afrouxar a política monetária cedo demais, como aconteceu em outros momentos da história, e ver a inflação voltar a subir.
É como se o BC estivesse dirigindo um carro em uma estrada escorregadia: precisa pisar no freio para não perder o controle, mas sem brecar bruscamente e causar um acidente. A diferença é que, nesse caso, o “acidente” seria uma inflação descontrolada.
O que esperar para a próxima semana?
A semana que se inicia será crucial para calibrar as expectativas em relação à Selic. A divulgação de novos dados de inflação e atividade econômica, tanto no Brasil quanto no exterior, deve dar mais pistas sobre o rumo da política monetária.
No cenário internacional, as decisões do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do Banco Central Europeu (BCE) também merecem atenção. Afinal, o que acontece lá fora, inevitavelmente, impacta a nossa economia.
É como se estivéssemos em um jogo de xadrez: cada movimento do Banco Central precisa levar em conta as jogadas dos outros “players” do mercado global.
O que fazer com a carteira?
Diante desse cenário de incertezas, a palavra de ordem é cautela. Para quem investe em renda fixa, a recomendação é diversificar a carteira, buscando títulos indexados à inflação e prefixados, com prazos variados. Assim, é possível proteger o patrimônio da inflação e, ao mesmo tempo, aproveitar as oportunidades que surgirem com a eventual queda da Selic.
Já para quem investe em renda variável, o momento é de selecionar empresas sólidas, com bons fundamentos e capacidade de gerar valor no longo prazo. Afinal, em um cenário de juros mais baixos, as empresas tendem a se beneficiar do aumento do consumo e do investimento.
Lembre-se: o mercado financeiro é como uma montanha-russa. Tem seus altos e baixos, seus momentos de euforia e de pânico. O importante é manter a calma, seguir a sua estratégia e, acima de tudo, não tomar decisões impulsivas.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.