Domingo à noite, hora de relaxar e planejar a semana. E no radar dos investidores, a grande questão é: quando o Banco Central vai começar a cortar a Selic? A maioria das casas de análise aposta que o ciclo de afrouxamento monetário deve começar já na próxima reunião do Copom, marcada para o dia 18 de março. Mas o que justifica tanto otimismo?

Depois de segurar a taxa básica de juros em 15% ao ano na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou que o mercado de trabalho ainda mostra resiliência, o que, em tese, poderia adiar o início dos cortes. Só que, por outro lado, alguns dados recentes acenderam uma luz amarela no painel do BC, indicando que a inflação pode estar cedendo mais rápido do que o esperado.

5 motivos para acreditar no corte da Selic em março

A analista de renda fixa da Empiricus, Lais Costa, listou cinco fatores que, na visão dela, reforçam o cenário de corte da Selic já em março. O relatório foi divulgado e repercutido por veículos como Money Times e Seu Dinheiro.

1. Arrefecimento gradual do mercado de trabalho

Apesar de a taxa de desemprego ter recuado para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro – o menor nível da série histórica –, há sinais de que o mercado de trabalho está perdendo um pouco de força. Os salários, por exemplo, mostram uma dinâmica menos aquecida do que antes. É como se o ritmo da economia estivesse começando a diminuir suavemente.

2. Inflação sob controle (por enquanto)

Os últimos dados de inflação vieram mais comportados do que o esperado, o que dá um alívio para o Banco Central. Claro que ainda há riscos no horizonte, como a guerra na Ucrânia e a política fiscal do governo, mas, no momento, a inflação parece estar sob controle. E, como todos sabem, o controle da inflação é o principal objetivo do BC.

3. Cenário internacional mais favorável

Lá fora, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) também deve começar a cortar juros em breve, o que pode abrir espaço para o Brasil fazer o mesmo. Afinal, com os juros americanos mais baixos, fica menos atraente para os investidores tirarem dinheiro do Brasil e levar para os Estados Unidos. É como se o Fed estivesse facilitando a atuação do BC brasileiro.

4. Pressão política (sempre ela)

É inegável que o governo tem pressionado o Banco Central para baixar os juros. A pressão política é uma constante no Brasil, e dessa vez não seria diferente. Embora o BC negue que sofra interferência, é difícil ignorar o ruído político quando se toma decisões sobre a política monetária.

5. A famosa “reunião de março”

Historicamente, o Copom costuma sinalizar mudanças na política monetária com antecedência. E a reunião de março é vista como um momento ideal para dar o pontapé inicial no ciclo de cortes. É como se o BC estivesse aguardando as condições ideais para iniciar a redução das taxas de juros.

O que esperar da Selic e como isso afeta seus investimentos

Se o corte da Selic se confirmar em março, a tendência é que os investimentos de renda fixa atrelados à taxa básica de juros percam um pouco de atratividade. Mas calma, não é hora de sair vendendo tudo. A renda fixa ainda pode ser uma boa opção para quem busca segurança e previsibilidade, especialmente em um cenário de incertezas.

Para quem busca maiores retornos, a renda variável pode ser uma alternativa interessante. Ações de empresas sólidas, com bons fundamentos e que pagam dividendos podem ser uma boa pedida. Setores como o de construção civil (caso da JHSF), financeiro (BTG Pactual) e educação (Cogna) podem se beneficiar de um cenário de juros mais baixos.

Dividendos, aliás, são uma ótima forma de gerar renda passiva e complementar sua renda mensal. É como se você tivesse pequenos “aluguéis” pingando na sua conta todos os meses, sem precisar vender seus ativos.

Lembre-se que este artigo tem fins informativos e não é uma recomendação de investimento. Cada investidor deve analisar seu perfil de risco e objetivos financeiros antes de tomar qualquer decisão. E, em caso de dúvida, procure um profissional qualificado para te ajudar.