O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central confirmou as expectativas e manteve a taxa Selic em 15% ao ano, em sua primeira reunião de 2026. A decisão, unânime, marca a quinta vez consecutiva que a taxa básica de juros permanece estável. Mas, ao invés de simplesmente segurar a Selic, o Copom surpreendeu ao sinalizar, no comunicado, que o ciclo de cortes pode começar já em março. Essa comunicação mais clara mexeu com o mercado, e o dólar sentiu o impacto.
Dólar em queda: hora de comprar?
Com a perspectiva de juros menores no futuro próximo, o dólar perdeu força frente ao real. A moeda americana já acumula uma desvalorização de mais de 5% em janeiro, voltando ao patamar de R$ 5,20. Isso reacende o debate: é hora de aproveitar a queda para comprar dólares ou esperar por novas oportunidades?
A resposta, como sempre, não é simples. A queda do dólar reflete, em parte, o chamado carry trade: investidores estrangeiros aproveitam as altas taxas de juros brasileiras para lucrar com a diferença entre a Selic e as taxas praticadas em outros países, como os Estados Unidos. Esse fluxo de capital estrangeiro valoriza o real e derruba o dólar.
Segundo Bruno Yamashita, analista da Avenue, a manutenção de um diferencial grande entre a Selic e o fed funds (taxa de juros americana) continua atraindo investidores para o Brasil.
No entanto, nem todos os analistas concordam que este é o momento ideal para comprar dólares. Alguns alertam para a possibilidade de o Banco Central acelerar o ritmo de cortes na Selic, o que poderia pressionar ainda mais o câmbio. Outros ressaltam que o cenário global ainda é incerto, com riscos de recessão em algumas economias desenvolvidas.
A visão dos especialistas
João Arthur, da Suno Consultoria, adota uma postura mais otimista. Ele defende que "é sempre hora de ir às compras no dólar, seja ele em R$ 5, R$ 5,30, R$ 6 ou R$ 7". Para ele, o dólar deve ser encarado como uma proteção patrimonial contra a variação cambial, e aproveitar os momentos de baixa é sempre interessante.
Já Felipe Guerra, da Legacy, tem uma visão mais crítica. Ele acredita que o Banco Central já deveria ter iniciado o corte da Selic e alerta para uma possível bolha na bolsa brasileira. Para ele, a manutenção de juros tão altos por tanto tempo pode prejudicar o crescimento econômico e tornar os ativos brasileiros menos atrativos no longo prazo.
Impacto nos resultados trimestrais e ações de tecnologia
A política monetária do Banco Central não afeta apenas o câmbio, mas também os resultados trimestrais das empresas e, consequentemente, o desempenho das ações na bolsa. Empresas com dívidas elevadas, por exemplo, podem ter seus lucros corroídos pelos altos juros. Por outro lado, empresas exportadoras podem se beneficiar de um real mais fraco, que torna seus produtos mais competitivos no mercado internacional.
O setor de tecnologia, que tem sido um dos destaques da bolsa nos últimos anos, também é sensível às variações da Selic. Ações de empresas como Microsoft e Meta, que possuem operações globais, podem ser impactadas tanto pela taxa de juros brasileira quanto pelas taxas praticadas em outros países.
Diversificação: a chave para o sucesso
Diante de tantas incertezas, a diversificação continua sendo a melhor estratégia para proteger o patrimônio e buscar bons retornos no longo prazo. Como diz o ditado, não coloque todos os ovos na mesma cesta. Invista em diferentes classes de ativos, como ações, renda fixa, fundos imobiliários e moedas estrangeiras. Assim, você estará mais preparado para enfrentar os altos e baixos do mercado.
Lembre-se: a decisão final é sempre sua. Analise as informações, consulte diferentes fontes e, se necessário, procure a ajuda de um profissional qualificado. O mercado financeiro oferece diversas oportunidades, mas também exige cuidado e planejamento.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.