O dia na bolsa de Chicago foi de maré baixa para as commodities agrícolas, especialmente a soja (AGRO3), que fechou em queda e tocou mínimas de quatro meses. Se você acompanha o mercado internacional ou tem investimentos que se conectam com o agro, prepare o cafezinho para entender o que motivou essa movimentação e o que esperar.

A principal vilã (ou heroína, dependendo do seu ponto de vista) da vez foram as condições climáticas nos Estados Unidos. Chuvas acima da média são esperadas para os próximos 15 dias em grande parte do cinturão agrícola do Meio-Oeste. Para os analistas, isso é música para os ouvidos da plantação de soja recém-colhida, que deve se beneficiar enormemente para germinar e se desenvolver.

Pense nisso como um dia de sol e água fresca para a lavoura. É exatamente o que o mercado internacional gosta de ver quando se trata de oferta. E quando a oferta tende a aumentar, os preços geralmente sentem o baque. A soja, por exemplo, encerrou o pregão negociada a US$11,215 por bushel, marcando o sexto dia consecutivo de desvalorização e o menor patamar desde o início de fevereiro. Na semana, o recuo foi de 5,5%.

A sombra das compras chinesas (ou a falta delas)

Outro fator que paira sobre os preços das commodities é a demanda chinesa. Houve um acordo para expandir o comércio agrícola entre China e Estados Unidos em uma cúpula em meados de maio, o que gerou alguma expectativa. No entanto, a falta de grandes compras da China desde então tem pressionado o mercado de soja. O gigante asiático, que é um dos maiores compradores globais, está em uma posição de negociação favorável, esperando pelas melhores ofertas.

Para piorar o cenário de demanda, as safras abundantes da América do Sul estão disponíveis no mercado a preços mais competitivos. Isso naturalmente diminui o apelo das exportações americanas nesse momento. Embora a demanda por farelo de soja tenha se mostrado um ponto positivo, a balança geral pende para o lado da oferta.

E para o investidor brasileiro, o que muda?

Essa queda nos preços internacionais da soja e do milho pode ter reflexos diretos para o investidor brasileiro. Para quem investe em empresas do setor de agronegócio, como produtoras de fertilizantes, máquinas agrícolas ou diretamente em empresas de commodities, a receita pode ser impactada negativamente. Afinal, menos dinheiro entrando na venda de grãos pode significar menos recursos para investimentos e expansão.

Por outro lado, para quem consome esses produtos – seja diretamente ou através de setores que utilizam soja e milho como insumo, como o de alimentos e ração animal – pode haver um alívio nos custos. Isso pode se traduzir em margens de lucro maiores para essas empresas e, quem sabe, em preços mais estáveis ou até menores para o consumidor final. É a velha lei da oferta e demanda em ação, cujos efeitos se refletem no bolso do cidadão.

A volatilidade em commodities como soja e milho também pode ser uma oportunidade para traders que buscam lucrar com as oscilações. No entanto, é uma atividade para quem tem estômago forte e entende os riscos envolvidos, pois estamos falando de mercados influenciados por uma miríade de fatores, desde o clima até as complexas relações geopolíticas.

Fato é que, com o mercado internacional de commodities agrícolas fechado por hoje, a sexta-feira foi marcada por essa tendência de baixa, com os olhos voltados para o céu do Meio-Oeste americano e para os próximos passos da China no tabuleiro do comércio global. Fique atento, pois os movimentos em Chicago podem impactar sua carteira.