O mercado de ações de tecnologia, especialmente o de semicondutores, em Nova York, está em compasso de espera nesta quarta-feira. Após dois dias seguidos de baixas expressivas, onde o Nasdaq chegou a derreter 2,22% na terça-feira (23), os investidores tentam estancar as perdas enquanto aguardam o balanço da Micron Technology, gigante do setor. A expectativa é que os resultados da empresa ofereçam um termômetro importante sobre a demanda por inteligência artificial (IA) e se o atual ciclo de crescimento das empresas de tecnologia é sustentável ou apenas uma miragem de curto prazo.

Essa pausa na volatilidade não é um sinal de calmaria definitiva, mas sim um reflexo da cautela típica de quem precisa de mais dados para tomar decisões. A Micron, cujos papéis na Nasdaq acumulam uma alta impressionante de mais de 250% nos últimos 12 meses, sentiu o baque na véspera, com uma queda de cerca de 13%. Esse movimento espelha a aversão ao risco que atingiu o setor como um todo, levantando questionamentos sobre a sustentabilidade das valuations elevadas.

O que o mercado aprendeu com o tombo recente?

Na minha leitura, o mercado está redescobrindo o velho ditado: "nem toda alta é para sempre". A euforia em torno da inteligência artificial impulsionou valuations a patamares estratosféricos, e agora, com o olhar mais atento aos fundamentos e à realidade econômica, começam a surgir os questionamentos. A expectativa de juros mais elevados nos Estados Unidos, com o Bank of America, por exemplo, já incorporando mais três altas de 0,25 ponto percentual pelo Federal Reserve, adiciona uma camada de pressão. Juros mais altos tendem a desvalorizar os fluxos de caixa futuros, o que afeta especialmente empresas de tecnologia que prometem lucros distantes.

Quem acompanha o setor de tecnologia há algum tempo, lembra-se de episódios semelhantes. Em 2021, vimos uma bolha semelhante se formar e estourar em algumas empresas de crescimento, e a dinâmica atual, com a busca por rentabilidade e a pressão por resultados concretos, tem ecos daquele período. A diferença agora é a magnitude do frenesi em torno da IA, que parece ter levado muitos a esquecerem a importância da gestão de risco e da análise fundamentalista.

O impacto disso no bolso do investidor é direto. Para quem apostou alto nas ações de tecnologia sem a devida diversificação, os últimos dias foram um teste de nervos. A volatilidade é alta e as perdas podem ser rápidas. É um lembrete de que, por mais promissora que seja uma tecnologia, o acompanhamento constante e a análise de risco são cruciais para proteger o portfólio. A questão que paira no ar é se a divulgação dos números da Micron será um sinal de "bolha estourou" ou apenas um ajuste necessário antes de uma nova escalada.

No cenário internacional, o tráfego no Estreito de Ormuz dá sinais de normalização, o que ameniza um pouco a tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã. Por outro lado, as bolsas asiáticas fecharam sem direção única, com recuperação na Coreia do Sul após perdas significativas em semicondutoras como Samsung e SK Hynix. O Ibovespa, por sua vez, abriu em leve alta nesta quarta-feira, mas o ETF brasileiro negociado em Nova York (iShares MSCI Brazil) opera em queda no pré-market.

Acompanhamos esse movimento de correção em ações de tecnologia desde a semana passada, e a expectativa agora é pela resposta do mercado aos resultados da Micron. A apuração do The Brazil News mostra que os analistas preveem crescimento na demanda por chips de memória, mas a forma como esse crescimento se traduzirá em lucro e o guidance para os próximos trimestres serão cruciais para definir os próximos passos. A sabedoria popular de "não colocar todos os ovos na mesma cesta" nunca foi tão pertinente.