O mercado financeiro está sempre em busca da próxima grande oportunidade, e o início de 2026 já traz algumas empresas com planos ambiciosos para os próximos anos. Tenda, Randoncorp e Cogna são três exemplos de companhias que, cada uma à sua maneira, buscam turbinar seus resultados e, consequentemente, atrair o interesse dos investidores. Mas será que os planos saem do papel?
Tenda: Conquistando o Investidor Gringo
A construtora Tenda, focada em habitação popular, tem um objetivo claro: aumentar a participação de investidores estrangeiros em sua base acionária. A meta é ambiciosa: saltar dos atuais 20% para mais de 50% até o final de 2026. Para isso, a empresa tem intensificado sua agenda de eventos e encontros com gestores internacionais, participando de conferências em Nova York, Londres, Cingapura e Hong Kong.
A estratégia, como resume o diretor financeiro da companhia, Luiz Mauricio Garcia, é "gastar a sola do sapato". Em outras palavras, mostrar a empresa para o mundo. Mas não basta apenas viajar e fazer apresentações. A Tenda precisa entregar resultados consistentes para convencer os investidores estrangeiros a apostar na empresa. A expectativa é de crescimento contínuo em lucros e vendas ao longo de 2026.
O setor de construção civil, em geral, pode se beneficiar de um cenário de juros mais baixos, já que a Taxa Selic influencia diretamente o custo do financiamento imobiliário. Se a Política Monetária continuar em trajetória de afrouxamento, como esperado pelo mercado, a Tenda pode encontrar um ambiente ainda mais favorável para o crescimento. No entanto, a empresa precisa lidar com desafios como a alta dos custos dos materiais de construção e a concorrência acirrada no segmento de habitação popular.
Randoncorp: De Olho na Queda da Selic
Outra empresa que está no radar dos investidores é a Randoncorp, fabricante de implementos rodoviários. O Itaú BBA elevou a recomendação da ação (RAPT4) de neutra para outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), apostando na recuperação da companhia com a esperada queda da Selic. A instituição financeira também manteve a recomendação outperform para Frasle (FRAS3), Iochpe (MYPK3) e Tegma (TGMA3).
A lógica por trás dessa recomendação é simples: juros menores tendem a impulsionar a atividade econômica, o que, por sua vez, aumenta a demanda por implementos rodoviários. Afinal, com mais empresas investindo e produzindo, a necessidade de transportar mercadorias também cresce. O setor automotivo, em geral, é bastante sensível às variações da Selic, e a Randoncorp parece bem posicionada para se beneficiar de um cenário mais favorável.
Vale lembrar que a Randoncorp também possui uma exposição positiva ao dólar, o que pode ser uma vantagem em um cenário de incertezas globais. Além disso, a empresa apresenta um múltiplo de Preço sobre Lucro (P/L) de 6,2 vezes e um dividend yield (retorno em dividendos) de 8% para 2026, o que pode atrair investidores em busca de renda passiva.
Cogna: Um Salto Otimista em Educação
Após um rali de 240% em 2025, as ações da Cogna (COGN3) continuam a atrair a atenção do mercado. O UBS BB revisou as estimativas para a empresa de educação e manteve a recomendação neutra, com um preço-alvo de R$ 4, o que representa um potencial de valorização de 13% sobre o preço de fechamento anterior. A instituição financeira considera que a melhora dos fundamentos da Cogna pode sustentar os níveis atuais de valuation.
A Cogna passou por um período turbulento nos últimos anos, com desafios como a alta evasão no ensino superior e a competição acirrada no setor. No entanto, a empresa tem implementado uma série de medidas para reverter essa situação, como a reestruturação de seus cursos e a busca por novas parcerias. Se essas iniciativas derem resultado, a Cogna pode voltar a crescer e gerar valor para seus acionistas.
É importante ressaltar que o setor de educação também está sujeito a fatores macroeconômicos, como o nível de emprego e a renda da população. Um cenário de recuperação econômica, com mais pessoas empregadas e com maior poder de compra, pode impulsionar a demanda por cursos de graduação e pós-graduação. Além disso, a inflação, medida pelo IPCA, também pode impactar o setor, já que influencia o custo dos materiais didáticos e das mensalidades.
O Que Esperar em 2026?
Tenda, Randoncorp e Cogna são três empresas com estratégias distintas para 2026. A Tenda aposta na atração de investidores estrangeiros, a Randoncorp na queda da Selic e a Cogna na melhora de seus fundamentos. O sucesso dessas empresas dependerá da execução de seus planos e da evolução do cenário macroeconômico.
Para o investidor, o importante é analisar cada caso individualmente, levando em consideração seus objetivos e perfil de risco. É fundamental acompanhar de perto os resultados das empresas, as notícias do setor e as análises de especialistas para tomar decisões informadas. E, claro, nunca colocar todos os ovos na mesma cesta: a diversificação é sempre a melhor estratégia para proteger o seu patrimônio.
Como dizem por aí, o futuro a Deus pertence. Mas, no mercado financeiro, quem se prepara melhor tem mais chances de colher bons frutos. Resta saber se Tenda, Randoncorp e Cogna estarão entre as empresas que se destacarão em 2026. A conferir!
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.