O pregão desta quarta-feira (03/06/2026) se despediu com o Ibovespa exibindo força, recuperando terreno perdido em dias anteriores. O índice fechou com uma alta de 1,16%, reconquistando a marca psicológica dos 174 mil pontos. E quem comandou essa virada? Como já se tornou um velho conhecido do nosso mercado, o setor de commodities, com destaque para Vale (VALE3) e as siderúrgicas, mostrou o caminho.
A mineradora Vale (VALE3) foi uma das estrelas do dia, impulsionada por notícias que reforçam a sua resiliência. Segundo uma análise do Citi, a demanda por minério de ferro na China segue firme, com a utilização dos altos-fornos em patamares elevados e os estoques em queda. Essa força chinesa, aliada a uma perspectiva de melhora na Europa e no Oriente Médio, pinta um quadro positivo para a commodity. O Citi, inclusive, mantém sua recomendação de compra para o papel, sinalizando que os preços atuais do minério parecem bem sustentados pela estrutura de custos da indústria global. Mais de 50 milhões de toneladas de produção global estariam sob pressão nos atuais níveis de preço e frete, o que joga a favor de empresas como a Vale.
Não podemos esquecer das siderúrgicas, que também tiveram um dia de ganhos expressivos. Notícias vindas dos Estados Unidos, sobre um alívio em tarifas de aço e alumínio, animaram os investidores. CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4) surfaram essa onda de otimismo.
E junho, como começa para os investidores?
O Santander, como de costume, divulgou sua carteira recomendada para o mês, focando em ações com bom potencial de dividendos e que historicamente têm um peso considerável no nosso mercado. Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e Itaú Unibanco (ITUB4) figuram entre os destaques do banco. O objetivo, segundo o Santander, é claro: superar o Ibovespa no longo prazo. Para quem busca renda passiva ou simplesmente quer entender quais são os papéis que as casas de análise acreditam ter mais fôlego, essa lista é sempre um bom ponto de partida.
Um olhar para o fluxo estrangeiro
Apesar do dia positivo para a bolsa, um dado que merece nossa atenção é o fluxo estrangeiro. Dados do mês de maio revelaram uma saída significativa de capital estrangeiro da B3, algo em torno de R$ 14,9 bilhões. Essa foi a maior sangria mensal desde janeiro de 2022. Embora o acumulado do ano ainda apresente um saldo positivo, a reversão observada em maio acende um sinal amarelo. Esse movimento pode ser um reflexo das incertezas no cenário macroeconômico global, a persistência de juros globais mais altos do que o esperado ou até mesmo um ajuste natural de carteiras. É importante acompanhar se essa tendência se mantém nos próximos meses, pois o capital estrangeiro tem um papel relevante na liquidez e na precificação dos nossos ativos.
Para o investidor brasileiro, o recado é claro: o mercado tem seus altos e baixos, mas entender os drivers por trás dos movimentos é fundamental. A diversificação, a análise fundamentalista e o acompanhamento das recomendações de casas renomadas, como Citi e Santander, podem ajudar a navegar por essas águas. O cenário global, com o preço do petróleo ainda sendo um ponto de atenção e as decisões de política monetária dos grandes bancos centrais, como o Fed, continuam a ser fatores determinantes para o nosso mercado. O dia fechou, mas a conversa sobre os rumos do investimento continua.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.