A Ágora Investimentos realizou uma mudança estratégica em sua carteira recomendada de dividendos para julho. As ações da Vale (VALE3) foram retiradas do portfólio, abrindo espaço para a entrada da Copel (CPLE3). A decisão reflete um movimento de maior exposição ao setor de utilities, buscando aumentar a previsibilidade dos resultados.

A justificativa da casa de análise para a saída da mineradora é o peso significativo de 20% que ela representava na carteira, um percentual superior ao do próprio Ibovespa. Em um cenário onde as preocupações com o ritmo do ciclo das commodities ainda pairam no ar, a Ágora optou por priorizar setores com retornos mais constantes.

Quem acompanha o mercado de ações há algum tempo sabe que essa movimentação não é inédita. Lembro-me de situações em 2022, quando algumas carteiras de dividendos optaram por reduzir a exposição a commodities cíclicas diante de incertezas globais. A lógica é sempre a mesma: buscar uma renda mais previsível e menos suscetível a volatilidades extremas.

Para este mês de julho, a carteira de dividendos da Ágora também conta com as ações da Allos (ALOS3), Caixa Seguridade (CXSE3), ISA Energia (ISAE4) e Itaúsa (ITSA4). A expectativa de retorno médio via dividendos para 2026 é de 8,7%, considerando o dividend yield médio do portfólio. Em junho, o portfólio teve um desempenho positivo de 3,1%, enquanto o Ibovespa recuou 0,3%.

Vale lembrar que a Genial Investimentos também promoveu alterações em sua carteira de dividendos para julho, retirando PRIO3 e Vale (VALE3), e adicionando Caixa Seguridade (CXSE3) e Itaú Unibanco (ITUB4). A prioridade da casa é construir um portfólio defensivo em meio a juros elevados e incertezas fiscais.

Por outro lado, o cenário de curto prazo para o mercado de renda variável mostra movimentos mais dinâmicos. Para quem gosta de operações mais curtas, a Ágora sugere compra de Banco do Brasil (BBAS3) e venda de PetroRecôncavo (RECV3) para hoje, visando ganhos de até 1,50%. Já o BTG Pactual incluiu Nubank (ROXO34), Smart Fit (SMFT3) e Sabesp (SBSP3) em sua carteira de swing trade, com potenciais de valorização entre 6,49% e 12,24%.

Na minha leitura, a saída da Vale de carteiras focadas em dividendos, mesmo com a ação operando hoje em leve alta de 0,35% a R$ 78,24, sinaliza uma cautela predominante entre os gestores em relação às commodities. Embora a ação acumule uma valorização de 8,10% no ano, a percepção de que o ciclo pode estar chegando ao seu ápice leva muitos a buscarem setores mais resilientes como utilities.

O que muda para o bolso do investidor com essas movimentações? Para quem busca uma renda passiva mais estável, a troca por empresas de utilities como Copel e Sabesp pode significar uma maior previsibilidade de dividendos, menos suscetível às oscilações do preço das commodities ou a volatilidade inerente a outros setores. É uma estratégia para quem quer dormir mais tranquilo, sabendo que um fluxo de caixa, mesmo que menor, tende a se manter constante.