Depois de um dia de agenda carregada, a B3 fechou nesta segunda-feira (23) com um misto de resultados corporativos e fortes emoções no mercado. Enquanto algumas empresas comemoraram balanços positivos, outras viram suas ações derreterem após um período de euforia. Vamos ao resumo do que rolou e o que pode influenciar seus investimentos nos próximos dias.
Vivo Surpreende e Impulsiona Ações
A Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo (VIVT3), foi um dos destaques positivos do dia. As ações da empresa saltaram 3,27%, cotadas a R$ 42,03, após a divulgação de um balanço do quarto trimestre de 2025 considerado sólido por analistas. O mercado gostou do que viu.
O Bradesco BBI, por exemplo, avaliou os resultados como positivos, com receita, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e lucro líquido acima das estimativas da instituição e do consenso do mercado. Segundo o BBI, o crescimento da receita de vendas de serviços (MSR) recuperou para 7,0% em relação ao ano anterior, confirmando uma estimativa otimista e ficando no limite superior da faixa de consenso. O Ebitda cresceu 8,1% em relação ao ano anterior, superando a previsão do Bradesco em 2,3%.
Para o BBI, os resultados do 4º trimestre confirmam um sólido momento operacional da Vivo, com crescimento da receita acima da inflação e rentabilidade saudável. Uma notícia boa para os acionistas, ainda mais em tempos de Selic nas alturas, o que geralmente impacta negativamente empresas de tecnologia e telecomunicações.
Azul: Montanha Russa Após Euforia Inicial
As ações da Azul (AZUL (AZUL4)53) viveram um dia de montanha-russa. Após dispararem 60% na sexta-feira e continuarem a trajetória de alta com um salto de 46,39% no início do pregão de hoje, os papéis da companhia aérea inverteram a tendência e fecharam em queda de 1,70%, a R$ 235,01. Um revés para quem apostava na recuperação judicial nos EUA (Chapter 11), anunciada na sexta.
Apesar da volatilidade, a Azul comunicou ao mercado que saiu do processo com um balanço patrimonial “significativamente fortalecido”, após reduzir sua dívida de empréstimos e financiamentos em aproximadamente US$ 1,1 bilhão e a despesa anual com juros em mais de 50% durante o processo de recuperação. Com isso, a Azul afirmou que terá uma alavancagem financeira líquida de menos de 2,5 vezes na saída do processo.
A empresa recebeu um investimento de R$ 550 milhões da United Airlines e assinou com a American Airlines um compromisso de investimento adicional de mesmo valor, que ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Em entrevista à Reuters, o presidente-executivo John Rodgerson destacou que agora se concentrará no “crescimento responsável”.
Moral da história: no mercado financeiro, nem tudo que sobe se mantém no topo. A euforia inicial com a saída da recuperação judicial deu lugar a uma correção natural, mostrando que é preciso ter cautela e analisar os fundamentos da empresa antes de tomar qualquer decisão.
Riachuelo Quer Mais Fôlego para Crescer
A Guararapes (RIAA3), dona da rede de varejo Riachuelo, informou que está avaliando a possibilidade de uma oferta pública primária subsequente de ações no valor de R$ 400 milhões, inicialmente. A empresa contratou o Itaú BBA, o BTG Pactual, o Bradesco BBI e o UBS BB para a prestação de serviços de assessoria financeira no âmbito da potencial oferta.
Os recursos, segundo a empresa, serão destinados a iniciativas de expansão e fortalecimento operacional, incluindo aceleração da abertura e reforma de lojas, investimentos em centros de distribuição e indústria, expansão das operações da Midway Financeira e reforço do capital de giro. Em um cenário de juros altos e incertezas na economia, o plano da Riachuelo pode ser uma forma de garantir a saúde financeira da empresa e impulsionar o crescimento.
Gerdau Lucra Menos, Mas Anuncia Recompra
A Gerdau (GGBR4) divulgou seu balanço na noite desta segunda-feira, reportando um lucro líquido de R$ 670 milhões no quarto trimestre, alta de 0,5% sobre o resultado obtido um ano antes e abaixo do esperado pelo mercado. Analistas, em média, esperavam um lucro líquido de R$ 813 milhões para a Gerdau nos três meses encerrados em dezembro e Ebitda de R$ 2,4 bilhões. A companhia teve no período receita líquida de R$ 17 bilhões, alta de 0,9% na comparação anual e levemente acima da projeção média do mercado de R$ 16,6 bilhões, segundo dados da LSEG. A Gerdau vendeu 2,9 milhões de toneladas de aço no quarto trimestre, crescimento de 5,2% sobre um ano antes.
Apesar do lucro abaixo do esperado, o conselho de administração da Gerdau aprovou um programa de recompra de até 55 milhões de ações preferenciais e até 1.441.120 papéis ordinários, com prazo de 18 meses. A companhia também divulgou que o colegiado aprovou o cancelamento de 418.800 papéis ON e de 7,7 milhões de ações PN, o que fez com que o capital social passasse a ser dividido em 717.363.819 ONs e 1.275.397.330 PNs.
A recompra de ações pode ser vista como um sinal de confiança da empresa em seus próprios papéis, o que pode impulsionar o preço das ações no curto prazo. Resta saber se o mercado vai reagir positivamente à notícia, mesmo com o lucro aquém das expectativas.
E Agora? Olho na Selic e nas Eleições
Com o fechamento do pregão, fica a lição de que o mercado financeiro é dinâmico e imprevisível. A temporada de balanços continua a todo vapor e os resultados corporativos serão determinantes para o desempenho das ações nos próximos dias. Além disso, é preciso ficar de olho nos indicadores macroeconômicos, como a Selic, que deve continuar no radar do Copom, e no cenário político, com as eleições se aproximando.
Lembre-se: diversificar seus investimentos e buscar informações de qualidade são as melhores estratégias para navegar em um mercado cheio de desafios e oportunidades. Afinal, no mundo dos investimentos, a informação é a chave para o sucesso. E como diz o ditado, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém!
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.