O Banco Central (BC) não deu refresco para o caso Banco Master e decretou, nesta quarta-feira, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, mais conhecida como Will Bank. A decisão, que já era esperada por alguns, tem um impacto direto no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e levanta questões sobre o futuro dos investimentos no setor.

Para quem não acompanhou a novela completa, o Banco Master já havia entrado em liquidação extrajudicial em novembro de 2025. Na época, a Will Bank foi poupada, com a esperança de que uma venda pudesse resolver a situação. Aparentemente, a esperança não se concretizou.

O que aconteceu com a Will Bank?

Segundo o BC, a Will Bank já vinha operando sob um Regime de Administração Especial Temporária (RAET) como uma tentativa de evitar o pior. No entanto, essa solução não se mostrou sustentável. A situação se agravou quando, no último dia 19, a Will Bank descumpriu seus compromissos de pagamento com a Mastercard, sendo bloqueada do sistema. Uma bola de neve que culminou na liquidação.

A relação umbilical com o Banco Master, já em liquidação, e a situação de insolvência da Will foram os fatores determinantes para a decisão do Banco Central. O Conglomerado Master, que englobava as duas instituições, era considerado de pequeno porte no segmento S3 da regulação prudencial, representando uma fatia pequena dos ativos e captações do Sistema Financeiro Nacional.

O impacto no FGC

A liquidação da Will Bank tem um impacto considerável no FGC. Segundo a InfoMoney, a conta a ser paga pelo Fundo pode saltar dos já expressivos R$ 40,6 bilhões (referentes ao caso Banco Master) para cerca de R$ 47 bilhões. Se confirmado, será o maior valor da história do FGC. Uma baita dor de cabeça para o sistema financeiro.

O FGC agora assume a responsabilidade de ressarcir os credores da Will Bank, respeitando o limite de cobertura de R$ 250 mil por CPF. Ou seja, quem tinha até esse valor investido na Will Bank deve receber o dinheiro de volta. Mas a pergunta que fica é: quando?

E os investidores? Vão receber o dinheiro?

Essa é a pergunta de um milhão de dólares (ou melhor, de R$ 250 mil). O FGC garante a cobertura para diversos tipos de investimentos, como CDBs, LCIs e LCAs. Se você tinha algum desses produtos na Will Bank, a princípio, está coberto até o limite. Mas é preciso ter paciência.

O processo de ressarcimento pelo FGC pode levar algum tempo. É preciso aguardar a análise da situação da Will Bank, a identificação dos credores e a organização dos pagamentos. Não espere receber o dinheiro da noite para o dia.

É importante lembrar que o FGC não cobre todos os tipos de investimentos. Ações, fundos de investimento e outros produtos mais arriscados não contam com essa proteção. Por isso, a diversificação é sempre a melhor estratégia.

Lições para o mercado de ações e investimentos

O caso Will Bank serve como um alerta para os investidores. Não dá para colocar todos os ovos na mesma cesta. A diversificação é fundamental para proteger o seu patrimônio. Além disso, é preciso ficar atento à saúde financeira das instituições em que você investe.

Desconfie de promessas de rentabilidade muito acima da média. Geralmente, elas vêm acompanhadas de riscos elevados. Pesquise, compare, questione. Não tenha medo de perguntar e de buscar informações. O seu dinheiro agradece.

E, claro, lembre-se que o mercado de ações e investimentos envolve riscos. Não existe garantia de lucro. É preciso estar preparado para lidar com as oscilações e as incertezas. E, em caso de dúvidas, procure a ajuda de um profissional qualificado. Um bom assessor de investimentos pode te ajudar a tomar decisões mais conscientes e adequadas ao seu perfil e objetivos.

O BC, por sua vez, segue apurando as responsabilidades no caso Will Bank, e os bens dos controladores e ex-administradores foram tornados indisponíveis. Resta saber se a justiça será feita e se os responsáveis serão devidamente punidos.

Por fim, vale lembrar que este artigo tem caráter informativo e não representa uma recomendação de investimento. A decisão final é sempre sua. Invista com responsabilidade e consciência.